PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCCXLVI
«O FMI diz
que a dívida pública vai pular dos atuais 118% do PIB para 135%. O que isto
significa é que o país vai ter de ir aos mercados nos próximos meses e convencer
os investidores de que vale a pena (ou melhor, que é seguro) emprestarem-nos
dinheiro. E é aqui que vale a pena pegar no ideário de partidos como Bloco de
Esquerda e PCP e confrontá-los com a realidade: não querem repetir a rábula da
reestruturação de dívida […]». Camilo Lourenço, “Jornal de Negócios”,
17/04/2020.
«Desde quando o mendigo... impõe condições?» Provérbio
árabe.
Reestruturar
uma dívida pode ter vários significados, o que Portugal tem vindo a fazer desde
que Sócrates lançou o País na bancarrota em 2011, é uma reestruturação da
dívida suave, ou seja, vai pagando, vai pedindo mais para pagar a dívida
vincenda e fruto da acção do Banco Central Europeu tem beneficiado, sobretudo o
Governo de Costa, de juros baixíssimos, o que lhe permite pedir a um juro bastante
mais baixo do que aquele que negociou quando contratou o empréstimo, nessa
diferença, nessa baixa de juros, está o ganho e tem sido em cada ano, umas
centenas de milhões de euros muito consideráveis.
Costa não
aproveitou nem isto nem o alinhamento dos astros para baixar a dívida, nem
sequer a baixou – usou o artifício de que ela estava a baixar em percentagem do
PIB – mas, na realidade, ela passou de cerca de 231 mil milhões de euros em
2015, para cerca de 250 mil milhões em 2019, ou seja, aumentou o stock líquido da
dívida em mais 19 mil milhões!
Mas o que
estes partidos querem; BE, PCP, PEV e parte do PS, não é essa reestruturação da
dívida – que toleraram e apoiaram no Parlamento nos últimos 5 anos do Governo
de Costa – o que eles querem é diferente, é não pagar a dívida aos
capitalistas, aos Mercados que nos emprestam o dinheiro! Ora os Mercados também
são, numa percentagem não negligenciável, além das poupanças dos cidadãos
indiferenciados, as poupanças de reformados e dos seus fundos de pensões.
Estes partidos
querem é aquilo que se designa de “hair-cut”, um perdão da parte mais
substancial da dívida, normalmente, a referência é baixá-la para 60% do valor do
PIB, ora, neste caso, hoje, salvo melhor opinião e independentemente da dívida
atingir os 135% do PIB de que fala o FMI, então temos: 212.303 (valor do PIB em
2019), X 60% deste valor, a dívida passaria para 127 mil milhões de euros, como
ela é de cerca de 250 mil milhões, estamos a falar de um perdão de cerca de 123
mil milhões, só! Sócrates pediu à Troika 78 mil milhões, convém recordar e como
termo de comparação…
Como diz
Camilo Lourenço, e muito bem, o melhor é avisar desde já os mercados (financeiros)
– quando lhes pedirmos o dinheiro que precisaremos para pagar à Função Pública,
incluíndo os aumentos de 2020 e os que os sindicatos já estão a exigir para
2021, bem como toda a despesa pública – que haverá uma parte substancial,
não negligenciável, que não pagaremos! É mais honesto intelectualmente e
as esquerdas não poderão estar contra isto porque sempre alegaram que “só a
verdade é revolucionária”!
Preparem-se,
vai haver uma corrida sem paralelo para comprar a dívida portuguesa…
Votaram nesta
gente e nas suas propostas – sim, 56% de nós votámos neles! – aguentem-se!
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