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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCCXLII

UM GOVERNO FORTE, FORTE MAS NA INIQUIDADE…

Há cerca de 1 milhão de portugueses em lay-off e vamos ver se o número fica por aqui…
Uma enorme maioria dos portugueses ganha o salário mínimo, é sabido, consensual e fruto de critica permanente, convenhamos que com alguma razão…

Ora o salário mínimo é em Portugal, desde Janeiro deste ano, de 635 Euros no sector privado da economia, e de 650 Euros no funcionalismo público, o que desde logo constitui em si mesmo uma iniquidade. Imaginem só se fosse um Governo de direita a perpetrar uma grosseria e injustiça destas, caía o Carmo e a Trindade – assim, ninguém reclama, ninguém diz nada! Não há nenhum jornalista que confronte o Senhor Primeiro-Ministro com um facto comezinho como este…

Significa isto que um trabalhador em lay-off, se ganhar o salário mínimo, vai receber 419€, ou seja, vai receber 2/3 do seu salário, dos quais o Estado pagará 70% e a entidade patronal 30%, o que não sei bem como vai ser possível para uma enorme maioria de empresas fechadas e sem facturar um cêntimo desde meados do mês passado.

Contudo, a Função Pública, e não estou a falar de médicos, enfermeiros, pessoal e técnicos auxiliares e todos os que estão correlacionadas com esta actividade e que trabalham agora desalmadamente em prol da nossa saúde, das nossas vidas, mas sim daqueles funcionários que foram mandados para casa (não há lay-off no Estado)  e que não estão a executar nenhuma tarefa, nem sequer  em teletrabalho, e há inúmeros nestas condições, e que, mesmo assim, recebem o salário por inteiro.

É ou não iníquo que estas pessoas aufiram agora os mesmos 650€ por mês, como se estivessem a trabalhar e só porque trabalham para o Estado, versus os míseros 419€ no sector privado em lay-off, não são penalizados?

Estes factos são ou não verdade? São ou não são uma indecência? São ou não uma iniquidade patrocinada por um Governo que descrimina portugueses consoante sejam funcionários públicos ou trabalhem no sector privado da economia? É ou não verdade que um Governo que perpetra iniquidades deste teor se torna ele mesmo – dada a responsabilidade de funções que tutela – um Governo iníquo?  Se sim, devem ser criticados ou não? Se devem, por que motivo algumas pessoas não querem que se critique este Governo?

Expliquem-me racionalmente, por favor, se conseguirem e não usem nem artifícios nem sofismas, nem iniquidades intelectuais do género: nesta crise não podemos criticar o Governo, isso não é patriótico, temos que estar todos unidos como parece ser o que diz o líder da oposição… ora a função da oposição é, justa e incontornávelmente, criticar o Governo! Ou será que Rui Rio acha bem esta iniquidade adicional fruto exactamente desta crise?

Como se pode não criticar uma medida desavergonhadamente populista – sim, o PS e o seu Governo tratam nas palminhas a Função Pública, rende muitos votos – uma aberração e uma falta de respeito por um número incalculável de portugueses vítimas desta arbitrariedade e iniquidade?
Votaram neles e ao fazerem-no permitem que o Governo vos trate como portugueses de segunda categoria! Aguentem-se!

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