O 25 DE ABRIL – EVENTO QUE APOIEI INCONDICIONALMENTE…
«O comunismo destrói a democracia; mas a democracia também pode destruir o
comunismo». André Malraux.
Vivi em Londres grande parte do
ano de 1971. O 25 de Abril apanhou-me a cumprir o serviço militar, estive,
aliás, de prevenção rigorosa, não me lembro se um dia, se dois, na base aérea
onde me encontrava na altura.
O conhecimento histórico do
colonialismo alertava para o facto de que o mesmo tinha correspondido, como
sempre em História, a um dado e particular momento da vida dos povos, e sem
convicção alguma de que pudéssemos ganhar a guerra em África, como, de facto,
veio a acontecer, cumpri penosamente 3 anos de serviço militar.
Nunca acreditei – para além de
razões de outra índole, nomeadamente se os povos devem ter direito à autodeterminação
ou não, que, óbviamente, subscrevo – que Portugal, pequeno País, atrasado e com
recursos limitados, pudesse manter o seu enorme Império Colonial. O exemplo advinha-me
das grandes potencias europeias, Inglaterra, França – particularmente após a guerra
da Argélia – Holanda e Espanha, só para citar as principais, que tinham
claudicado nesse desiderato e tinham dado a independência aos países que
subjugaram durante séculos. A que acresce que o regime do “Estado Novo” estava
exausto, exaurido, decrépito, isolado em todas as instâncias internacionais,
como a ONU, e mesmo junto dos seus aliados de sempre, além de que contava com a
oposição aberta dos EUA.
Ansiava porque Portugal fosse um
País moderno, a exemplo da Alemanha onde tinha passado umas férias grandes, ou da
Suíça onde tinha passado dois meses num verão anterior, e, finalmente, a
exemplo da Inglaterra onde vivi grande parte do ano de 1971 e onde fui confrontado
com uma sociedade moderna, rica, livre e respeitadora das diferenças e dos
povos, tal o seu gigantesco cosmopolitismo, nunca me senti discriminado em Londres
e se isso aconteceu, foi pela positiva. Não há jovem que não tenha sonhos de
futuro e de progresso…
Recebi o 25 de Abril com uma
alegria imensa e incontida, significava o primeiro passo para a democracia que
tinha estudado bem e admirado na História da Grécia antiga e porque ansiava – e
pelo desenvolvimento que nos aproximasse da Europa livre, culta, educada,
desenvolvida e do bem-estar social – enormemente, a este respeito cito a famosa frase de
Churchill: “Ninguém pretende
que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a
pior forma de governo, salvo todas as demais que têm sido experimentadas de
tempos em tempos”, e com a qual ainda hoje concordo em absoluto.
O regime deposto em 1926, herdou
um Portugal falido e em escombros, fruto da “obra” da 1ª República e dos seus
desmandos e instabilidade crónicos; entre 1910 e 1926, tivemos 50 Governos, ou
seja, uma média de mais de 3 Governos por ano e, extraordinário, houve dois
Governos que não chegaram a tomar posse, caíram antes de tal se verificar… Não
há regime que resista a isto, sobretudo se lhe acrescentarmos uma participação
tardia mas desastrosa na 1ª Grande Guerra, e uma guerra que ainda hoje não consigo
vislumbrar nem a utilidade, nem a finalidade, contra a Igreja católica, num
país onde mais de 90% dos portugueses em 1910, professavam essa religião,
apesar de eu próprio não praticar nenhuma religião…
Na realidade, pouco após o 25 de
Abril, assisti com estupefacção, à tentativa descarada, obscena, por ser
completamente ao arrepio da vontade popular, da tomada do poder pelo minoritário
Partido Comunista Português e pelo seu apêndice da altura, o MDP/CDE. O PCP nunca
foi sózinho às urnas, há, aliás, uma explicação para esse facto; o PCP prefere
aliar-se sempre a alguém para dar a ideia de unidade, de força, de frente, de conjunto e para impedir
que se meça o seu verdadeiro peso eleitoral, hoje, com a sua queda imparável,
essa estratégia revela-se completamente ineficaz, o PCP aliado ao seu moço de
recados actual, o PEV, não foi além de uns miseráveis 6,33% nas últimas
legislativas…
A partir de 1974, o PCP encabeçou
uma política Leninista de tomada de poder à revelia da vontade popular,
exactamente o que Lenine fez na Rússia em 1917, quando os Bolcheviques que
chefiava perderam as eleições para a Duma, obtiveram cerca de 23% dos sufrágios
e, mesmo assim, tomaram o poder pela força, no primeiro exemplo de “respeito”
pela democracia, suas regras e seus adversários, que, aliás, pouco tempo depois
se encarregaram de perseguir, meter na cadeia ou fuzilar…
O PCP e os seus aliados
radicalizaram de tal forma a luta, apropriaram-se e colaram-se de tal maneira
ao 25 de Abril – como se lhes pertencesse – abastardaram-no de tal forma, usaram
uma técnica eficaz mas rotundamente falsa ao pretenderem ser os “Pais” e
os “Guardiões” ferozes da democracia quando no seu programa está escrito
(mesmo que, ao que consta, à pressa já o tenham retirado…) que o seu objectivo,
o seu cerne, a sua razão última, mesmo que ela seja temporária até ao
desaparecimento do Estado, é a "Ditadura do Proletariado", – o que é
coerente, credível e incontornável num programa Marxista de organização da
sociedade para quem o tiver estudado um pouco – nos antípodas da democracia, do
Governo pelo povo e para o povo, conceito universal clássico e completamente
adulterado pelo PCP e “compagnons de route”, até ficar irreconhecível, até
ficar uma caricatura, que é o que vigora e defendem ainda hoje.
O resultado é este facciosismo
infrene, esta divisão absurda entre eles, os “puros” democratas, os verdadeiros
apoiantes do 25 de Abril, e todos os outros, os reacionários, os de direita, os
liberais, os neo-liberais, os fascistas e os nazis que querem de volta o
Portugal do 24 de Abril de 1974. Que coisa mais grotesca, que coisa mais surreal,
mais estúpida e mais falsa! Como é que há idiotas que acreditam nisto?!
Acreditar tranquilamente que o
PCP é um partido democrático – e o mesmo é válido, evidentemente, para os
cripto-comunistas do BE – como os outros, no seio dos restantes é falso e um
erro; não o é, nunca o foi e nunca o será. Deve ser denunciado em todas as
circunstâncias e não, isto não é radicalismo, nada disso, ninguém propõe a sua
extinção, ele caminha a passos largos para a sua irrelevância – como aconteceu
em toda a Europa onde não tem nenhuma força, representatividade ou expressão – e
temos que agradecer a António Costa ter-lhe fornecido um ”ventilador” em 2015, trazendo-o(s)
para os corredores do poder – isto é tão só uma reacção de legítima defesa
perante um radicalismo que não queremos, que não escolhemos, que não
sancionamos e que todos os dias em todas as estâncias em que está representado,
faz um trabalho de sapa contra a democracia e as suas instituições. Esta acção tem
contribuído inexoravelmente para o nosso atraso, para não conseguirmos nunca atingir
a Europa dos nossos sonhos, apesar da sua ajuda material e moral incansáveis.
Karl Marx morreu há imenso tempo,
mas a sua herança está viva e contribui permanentemente em todos as latitudes e
longitudes, para a destruição da cultura ocidental, a tal que com a sua
tolerância, permite que um Partido que a quer destruir e substituir, dê largas
à sua acção e imaginação!
Apoio e sou um admirador do 25 de
Abril inicial e das suas propostas, não este, não o abastardado que nos querem
impor, mas o genuíno, o de todos, o de todos os democratas, o que prometeu dar
voz ao povo português, liberdade, democracia e desenvolvimento!
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