PENSAMENTO(S)
SIMPLES DO DIA - MCCCXXIX
Foi uma escandaleira, António
Costa emergiu como o herói, o paladino, o homem que corajosamente enfrentou a
Holanda quando esta atacou a Espanha. Vi mesmo um programa em que Costa era
endeusado pelo que tinha feito e pela sua coragem, sobretudo no País vizinho, mas
cá também. Acontece que o homem teve dois discursos; um, moderado, no Conselho
Europeu, outro, arrebatado e incendiário, aos mídia portugueses! Ou seja, como
é típico com António Costa, há um discurso na Europa, e outro completamente
diverso para consumo interno, para os indígenas, para os parolos! Ora isto é
REPUGNANTE!
Em síntese, há 4 países que
não querem as Coronabonds, ou seja, obrigações emitidas pela Europa, e que não
se querem co-responsabilizar pelas dívidas que seja preciso contrair neste
momento para juntar o dinheiro necessário para minimizar o problema. São eles:
Alemanha, o maior contribuinte líquido da Europa desde a formação da Comunidade
Europeia do Carvão e do Aço, no longínquo ano de 1952 – os primórdios da actual
União Europeia, a Holanda, a Áustria e, finalmente, a Finlândia.
Convém não esquecer uma coisa
essencial, estamos a falar de países democráticos cujos Governos têm que
respeitar a vontade do seu eleitorado que, além do mais, os elegeu. E o seu
eleitorado não quer continuar a pagar desenfreadamente para, sobretudo, os países
do sul da Europa, sobretudo a Europa de má memória de Sócrates e de Teixeira dos Santos, e a de Tsipras e de
Varoufakis, a Europa das bancarrotas! Acresce que, como disse o Primeiro-Ministro
Holandês, e muito bem, a Holanda passou dez anos a fazer reformas e em
austeridade. E nós, fizemos reformas? E Costa, em 2015 não decretou o fim da
austeridade?!
É legítimo e compreensível, eu
também me fartei de pagar impostos para a Madeira fazer viadutos e auto-estradas…
Já sabia que Costa não tem
nenhuma das virtudes que lhe apregoam, não sabia é que era um zero
diplomaticamente como deu mostras neste episódio, sem nenhuma subtileza nem
nenhum “savoir faire”. Compreende-se a sua indignação, sem o dinheirinho que
lhe vem permanentemente da Europa, Costa vai fazer como Sócrates, vai-se
embora… vai-se embora e já vai muito tarde, os danos da sua péssima governação
nos últimos 5 anos vão começar a saltar cá para fora, sistemática e claramente,
agora que o marketing político vai ser insuficiente…
A título de complemento para o
que escrevo, deixo o seguinte gráfico, deveras elucidativo e que põe à
evidência quem são os que não conseguem viver sem a ajuda da Europa, e quem é
que paga sempre a facturinha; a Alemanha:
Fonte: João Cortez, “Diversos”, 28/03/2020
Portugal, apesar de ser mínimo e só com 10 milhões de
habitantes, é o quarto País que mais recebe da Europa, (ano de 2018) agora
olhem para os Países que não querem pagar mais, percebem? Portugal recebe desde
1986 fundos de coesão para se aproximar da Europa, mas não o consegue, cada vez
falha mais e cada vez é ultrapassado por mais países que o conseguem…
Já viram como Costa não tem nenhuma categoria, esta
atitude de ataque à Holanda – amplamente amplificada por toda a comunicação
social num frete imenso e num servilismo
assustador – só vai unir mais ainda
estes países; havia outras maneiras mais diplomáticas de o fazer e a Europa vai
arranjar uma saída, possívelmente recorrendo à solução mais eficaz no imediato e que consiste na
utilização da linha de crédito cautelar que o MEE – Mecanismo Europeu de
Estabilidade, uma espécie de FMI Europeu para a zona Euro, tem disponível com os seus 410 mil milhões de euros e que já
existe acordo para a sua utilização entre os Estados-membros, conforme diz Klaus Regling, seu Presidente.
Costa podia e devia ter ficado calado, não tem
autoridade moral para dizer nada nesta matéria, apoiou Sócrates até à
bancarrota e tem um problema (aliás, doravante, muitos, acabaram as vacas
gordas e a sorte…); não fez os trabalhos de casa, zero desde 2015, e já estar a
arranjar bodes expiatórios para o seu falhanço, sobretudo quando se for embora…
e, antevê-se, queixar-se de que a culpa do seu falhanço foi da Europa, da
Merkel, de Wopke Hoestra e de tutti quanti…
P.S. – o homem, o Holandês, até teve a humildade de
dizer posteriormente que tinha sido infeliz na forma como o disse, sem renunciar à ideia base…
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