PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA –
MCCCXXI
INESPERADAMENTE, O DIABO CHEGOU, E
CHEGOU COM IMENSO ESTRONDO…
“É mais fácil entrar num problema do que sair dele; o bom
senso recomenda procurar a saída antes de entrar”. Esopo.
Conhecem a alegoria da cigarra e
da formiga? Claro que conhecem! A formiga trabalha diligentemente durante todo
o ano para amealhar mantimentos e não pergunta se no próximo inverno vai haver
chuva, neve, saraiva, granizo, inundações ou outro fenómeno qualquer raro, como
um tsunami ou o Diabo, por exemplo, ela trabalha sempre e não tem dívida para
pagar porque se tivesse, não descansaria enquanto a não pagasse… quanto à cigarra,
é inútil perder tempo com ela, toda a gente sabe que prefere cantar (gastar) o
verão todo…
Vem isto a propósito de já ter
lido alguns amigos a sugerirem que num momento com esta gravidade, não se
deveria criticar o Governo e deveríamos unir-nos todos para melhor ultrapassar
a crise. Esta sugestão merece-me os seguintes comentários:
O Governo socialista de Sócrates
atirou o País para uma ignóbil bancarrota em 2011, alguém viu os socialistas
darem a mão ou mostrarem um mínimo de arrependimento e compreensão pela
governação do PSD/CDS que teve a árdua tarefa de tirar o País da falência e das
garras da Troika? Eu não vi! O aforismo popular diz: cá se fazem, cá se pagam…
Este Governo foi incompetente e
continua a sê-lo. Alguns apontamentos a esse respeito: a desorientação na saúde
foi mais do que evidente, a começar logo pela Ministra da Saúde ter afirmado
que o País estava preparado para o Coronavírus – afirmação mais do que
temerária, imprudente para não dizer inconsciente, como a própria crise o
demonstrará e se encarregará de a infirmar mais ainda – acabei de ouvir o Primeiro-Ministro dizer na
TVI-24, que até ao dia 15 de Abril, vão chegar 500 ventiladores comprados à
China e outro material necessário nos hospitais… ainda hão-de chegar porque
foram tardiamente encomendados…
Mas é no aspecto económico – os
socialistas não conhecem nem o tecido económico nem as empresas, o que não
admira, especializaram-se em trabalhar para o Estado e há uma cultura infrene
de colocar boys em tudo o que é lugar do Estado em detrimento do mérito,
da competência – que algumas das medidas que tomaram são mais absurdas;
nomeadamente, exigirem para se poder utilizar o lay-off simplificado,
uma quebra de 40% na facturação comparando com o período
homólogo de dois meses do ano anterior em que não havia crise, contra o mesmo período este ano. Esse rácio, só na melhor das hipóteses será atingido no
fim de Abril. Já viram como é que as empresas, a maioria sem facturar um tostão
desde 15 de Março, vai poder pagar salários, rendas e outras despesas
incontornáveis no fim do mês? Puro delírio, pura ficção!
Outra medida absurda,
completamente fora da realidade, é concederem crédito bonificado só a quem não
despedir. Mas os empresários vão contrair créditos para pagar salários e
encargos à Segurança Social mesmo que alguns destes tenham sido diferidos no
tempo, sem saberem quando e como haverá uma tímida retoma quando tudo aponta
para que a economia fique em pantanas durante meses? E depois, vão em cima das
suas casas e penhoram-lhes os bens se não pagarem? E o Pagamento Especial por
Conta sobre os lucros vincendos de 2020, não deveria ser pura e simplesmente
anulado? Alguma empresa vai ter lucros este ano?
A procissão ainda vai no adro, imagino,
infelizmente, que com estas medidas a grande maioria das pequenas e médias
empresas vai fechar já no fim de Março gerando o correlativo desemprego que
este Governo diz querer evitar a todo o custo... ironicamente, o lay-off
é potencialmente mais barato para o Estado do que o desemprego.
Finalmente, a Espanha que tem um
Governo socialista, tem um plano de apoio à economia de 200 mil milhões de
Euros quando a sua economia é 6 vezes maior do que a nossa, a Inglaterra de 360
mil milhões de Libras, ao câmbio de hoje, cerca de 386 mil milhões de Euros; a
Alemanha de, pelo menos, 460 mil milhões de Euros mas com a advertência que não
haverá limite na ajuda às empresas; os USA preparam-se para injectar na economia
a brutalidade de 4 triliões de dólares. O plano português é de 9 mil milhões de
Euros, se comparado com a Espanha deveria ser de 54 mil milhões por a economia
espanhola ser cerca de 6 vezes maior do que a nossa…
Dir-me-ão que Portugal não é
comparável e esses países, pois não, mas se a dívida não tivesse sido duplicada
entre 2005 e 2011 e se entre 2015 e 2020 tivéssemos feito todos os esforços
para a aliviar e não tivéssemos tido uma política irresponsável de chapa ganha,
chapa batida, seguramente que muitos mais biliões estariam disponíveis para
salvar as empresas portuguesas do espectro da falência, que é como quem diz, de
salvar Portugal. Como é que se pode
apoiar um Governo destes e que manifesta esta enorme incompetência e
desfasamento da realidade?
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