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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MCCCIII
«Isabel Camarinha. A nova líder que tem a vida toda na CGTP.  Trabalha há 40 anos na CGTP e foi subindo aos poucos na hierarquia. E a família? Também está na intersindical: é casada com um dos dirigentes mais antigos». Jornal “Observador”, 15/02/2020.
«O capitalismo é a exploração do homem pelo homem, o socialismo é o contrário». Millôr Fernandes, (1923-2012) dramaturgo, escritor, tradutor, jornalista, humorista e desenhista.
Este parágrafo é revelador, a nova líder da CGTP fez toda a sua carreira em sindicatos da CGTP. Significa isto que esta personagem ignora olimpicamente o que é trabalhar numa empresa privada e as dificuldades com que as empresas privadas se debatem permanentemente, nomeadamente; ter dinheiro no fim do mês para pagar salários; ter dinheiro para pagar à segurança Social; ter provisões de tesouraria para no mês de Julho pagar o subsídio de férias ao pessoal; ter provisões de tesouraria para no mês de Novembro ou até meio do mês de Dezembro, pagar o subsídio de Natal ao pessoal.
A esta data de encargos incontornáveis, há que acrescentar os impostos e é sempre necessário que a empresa consiga estar dentro do mercado com a grelha de preços que pratica para ser competitiva e não ser preterida em favor da concurrência.
Há inúmeras outras coisas e dificuldades sobre as quais se podia perorar e que fazem parte da vida de qualquer empresa privada, mas estas serão por ventura as mais importantes.
A prova de que esta senhora não faz a mínima ideia de nada do que acabei de explanar, já está aí:
As propostas que subescreve são de um aumento de 90€ já em 2020 e que o salário mínimo nacional passe para 850€!
Um pequeno cálculo dá-nos a dimensão da pretensão: 850 X 14 = 11.900 / 12 = 991,66€ por mês mais os encargos sociais: ou seja, 34,75%, (23,75 para as empresas e 11% para os funcionários)  no caso concreto: 295€, a que há que acrescentar 1% de seguro de acidentes de trabalho; mais o subsídio de refeição: 4,27€ por dia de trabalho. A isto acresce, de acordo com a lei, as empresas devem ainda assegurar aos trabalhadores: formação e auditoria de higiene e segurança no trabalho; medicina no trabalho; e formação profissional, sendo obrigatório dar 35 horas por ano de formação acreditada, não incluo estes custos por não ter ideia do que podem onerar um salário base. Quanto aos outros, tudo somado: 991,66 + 295 + 8,5 + 21 dias x 4,5 = 94,5, ou seja: 1389€ se não me enganei nos cálculos… 
Não é que os trabalhadores não precisassem de ganhar até muito mais, o problema é outro; há que considerar a competitividade e a produtividade da economia portuguesa, nomeadamente cuidar de saber se as empresas aguentam? E as pequenas empresas aguentam? As empresas exportadoras aguentam, a economia em geral aguenta?
Querem melhor? Confiem na Isabel Camarinha e na sua grande experiência, ouvi-a ontem na TV afirmar que “quer acabar com a exploração do homem pelo homem”, “tout court”… mas eu acho que ela não quer acabar, quer substituir a exploração do homem pela exploração do Estado sobre o  homem, ou não fosse do PCP…

 


 

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