PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MCLVII
«Governo justifica falta de medicamentos com a globalização.
Ministra Marta Temido garante que o executivo está ativamente a procurar formas
de combater a falta de medicamentos que se sente em Portugal». Jornal “DN”,
10/12/2019.
“Os que querem parecer
sábios entre os tolos, acabam por parecer tolos entre os sábios». Marco
Quintiliano, (35 – 95 d.C) orador Romano.
Bom, a verdade é que um tipo tem que se beliscar depois de ler uma
tirada destas… e além de beliscar, tem que reler a frase para se certificar de
que leu correctamente, que não se trata de “fake news” nem de uma
“boutade”…
Não se entende, de maneira nenhuma, o que a Senhora Ministra quer
dizer pois se se refere a deslocalização no seu sentido mais comum, ou seja – vivemos
numa época em que as facilidades de comunicação e de transporte tornaram
pequeno o mundo – a deslocalização industrial foi o fenómeno mais comum e que
ocorreu, de facto, devido à globalização e à procura de locais de produção onde
a mão de obra fosse mais barata. Não obstante, isso nunca poderia justificar a
falta de medicamentos em Portugal, os têxteis deslocalizaram e são o melhor
exemplo de deslocalização mas nunca nos faltaram camisas, peúgas, lençóis ou
atoalhados…
Não, o problema não é uma hipotética deslocalização da indústria
farmacêutica, área em que Portugal nem é particularmente forte, é outro,
segundo consta; o Governo impôs preços e margens baixíssimos à indústria
farmacêutica e esta, pura e simplesmente, optou por desinvestir no fabrico
desses medicamentos, ou prefere mercados onde conseguem vender melhor os seus
produtos, ou seja, exporta cada vez mais em detrimento de fornecer o mercado
nacional:
Para quem está no sector e é Ministro da Saúde, não perceber isto
é como decidir ir à pesca sem linha ou, pior, sem isco…
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