PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCLVI
POSSO ASSEGURAR-VOS, JOSÉ SÓCRATES NÃO SABIA DE NADA…
«[…] a compra pelo empresário [Santos Silva] de mais de 6.500
exemplares do livro 'A Confiança no Mundo', de José Sócrates [segundo o
ministério Público gastou 170 mil euros], tendo Santos Silva referido que comprou
para oferecer a amigos e porque gostava de ver o livro nos primeiros lugares
dos tops de venda». “SAPO-24”, 30/11/2019.
Leio este parágrafo e tiro as seguintes ilações: primeiro,
Santos Silva nunca morrerá na cadeia… é que ele tem um gigantesco acervo de
amigos, pelo menos, 6.500… segundo, o dinheiro para estas compras saiu de um
dos inúmeros cofres que apareceram últimamente, terceiro, percebe-se claramente
que Sócrates não imaginava que a generosidade do amigo se manifestasse desta
forma, ele não sabia rigorosamente de nada!
Aliás, li já não sei onde e com tantos cofres é natural que
fique baralhado; que num dos cofres Santos Silva guardava 8 milhões de euros –
não sei o volume que 8 milhões de euros possam requerer nem vou fazer contas,
mas, seguramente, que tem que ser um cofre gigante de onde retirou os 170.000
euros para comprar os 6.500 exemplares do livro de Sócrates, é claro que aqui
também há umas más línguas a afirmar que o livro não foi escrito por ele,
sempre a maldita maledicência nacional…
Sendo Sócrates um tipo de carácter, um homem probo, um exemplo
para o País e para as gerações mais novas que precisam de heróis, nunca aceitaria
uma acção destas porque ela subverteria o seu legitimo lugar no top de vendas,
ele, grande pensador, não precisava de beneficiar de qualquer favor de amigo. Tratava-se
de uma acção em que o vil metal do amigo é relegado para um lugar subalterno – é
despiciendo – e fica o acto despido de qualquer interesse mesquinho, a roçar o
heroísmo em termos de amizade desinteressada, mais uma vez; que grande amigo!
Sócrates, um ex-Primeiro-Ministro que não precisa de exercer o
poder ou recorrer a amizades para ser o autor mais vendido e lido,
subentende-se, no País, exclusivamente por mérito próprio… é bonito, é poético
e engrandecedor! É nojento quererem denegrir – como já li em inúmeros sítios –
uma acção tão desinteressada, que roça o sublime, é uma coisa que me dá
vómitos!
Sócrates que sempre
actuou com toda a lisura e correcção – que andou a estudar os filósofos em Paris
– nunca dirá como Sarte:
“[…] já não se trata de uma doença, nem de um acesso
passageiro: a Náusea sou eu”!
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