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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCLIII
«Descontos da Black Friday são “expoente máximo do capitalismo”.». Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, jornal “Dinheiro Vivo”, 25/11/2019. 

«A estupidez insiste sempre». Albert Camus. 

Quando se pensa que já ouvimos tudo, ouvimos o que nunca pensávamos poder ouvir… 

Sim, o consumismo pelo consumismo é mau, sem dúvida, até porque há limites na capacidade de produção mas, sobretudo, de recursos disponíveis no planeta para tal, agora que um Ministro de um Governo democrático num país de economia de mercado, diga uma coisa destas, é que me surpreende! 

Provavelmente, sua excelência preferiria viver numa economia centralizada e planificada como as economias comunistas, onde não há “Black Friday” algum e onde o marketing é inexistente (excepto em propaganda ao regime), mas também não há nada daquilo que os cidadãos precisam.  

Dou um ou dois exemplos: numa economia comunista um cidadão vai ao mercado comprar cenouras e é obrigado a trazer amendoins porque nesse dia não há mais nada… ou vai comprar umas botas para a filha, número 28, e acaba por comprar umas galochas para si próprio, número 45, de que estava à espera há anos e agora tem que aproveitar a oportunidade… 

O capitalismo tem muitos defeitos – tal como a democracia que é o pior de todos os sistemas exceptuando todos os outros – mas tem algumas virtudes: ninguém é obrigado a fazer compras no “Black Friday”, ninguém! Todos os que as fazem, seguramente que tirarão algum partido dos descontos promovidos nesse dia; os descontos são uma prática antiga e necessária para escoar e renovar stocks e realizar capital, todas as economias desenvolvidas e onde não há a penúria dos países comunistas, o fazem. Finalmente, a dinâmica, a evolução, o ajuste, a criatividade e a imaginação de uma economia de mercado, de uma economia capitalista, são insuperáveis e é isso que dá conforto, satisfação de necessidades básicas ou sofisticadas, e prazer – uma componente indissociável nas compras – ao cidadão que tem o privilégio de viver e coexistir com as “Black Fridays”, onde as há… 

Matos Fernandes quer viver numa sociedade onde não há promoções, onde não há “Black Friday”, onde não há marketing excepto o político, onde não há concorrência de espécie alguma, mas onde também não há artigos básicos de consumo; batatas, medicamentos, gasolina, sapatilhas, jeans, cenouras, leite, ovos e frango?  Bons exemplos do que cito são a Venezuela e Cuba.  

Matos Fernandes quer viver numa sociedade comunista?  

Só se for…

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