PENSAMENTO(OS) SIMPLES DO DIA – MCCLVIII
«Fugas: entre 1949 e 1961, mais de dois milhões de alemães de
Leste, muitos dos quais com formação superior, fugiram para a Alemanha
Federal». Jornal “Expresso”, 9/11/2019.
“Sob
a mais livre das constituições, um povo ignorante é sempre escravo”. Condorcet.
Vejamos, o regime nazi caiu em 1945 e o exército vermelho ocupou
quase toda a Europa de Leste incluíndo a Alemanha de Leste também, nessa altura
e com a retirada e colapso do regime nazi, portanto, uns meros quatro anos após
a institucionalização do comunismo, começou a fuga de alemães da parte leste da
Alemanha que, praticamente, durou até à queda do Muro de Berlim.
Em 13 de Agosto de 1961, dá-se início à construção do Muro de
Berlim e o argumentário foi, nas grandes linhas, o seguinte: o muro era erigido
para defender e proteger os trabalhadores de Berlim Oriental, do vil
capitalismo, dos seus vícios e da sua maldade intrínseca, a que acrescia a
vontade de que o mesmo não perturbasse e não poluísse a pureza da construção do
socialismo e do homem novo.
O único drama nisto tudo foi o facto de os trabalhadores e o povo
em geral, apesar da bondade do regime, quererem fugir por todos os meios do
“Paraíso na terra”. Essa fuga não era isenta de riscos gravíssimos, incluíndo o
da própria vida que estas fugas faziam perigar, em 28 anos de vida do Muro,
pereceram, quase todos metralhados, 140 alemães às mãos de um regime cruel,
sanguinário, utópico, surreal e assassino.
É a vida, ou antes, é a História que centenas de milhar de
portugueses ignoram pois votam em partidos que sempre defenderam a construção
de muros, do Muro e Berlim e das premissas necessárias à construção do
verdadeiro socialismo que, alegam agora à laia de defesa e de justificação pelo
seu falhanço monumental, foi mal aplicado – a doutrina é científica e está
correcta – cometeu erros, erros que não
voltarão a acontecer…
Deem-me um exemplo, um único em que esses erros não tinham sido
recorrentes e onde não se tenham constituído e construído sempre, ditaduras
hediondas, ferozes, abjectas, daquelas que provocam verdadeiros êxodos, como o do
povo de Berlim e de toda a Alemanha de Leste?
Prefiro acreditar nas histórias da Carochinha em que, pelo menos,
não há mortes…
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