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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCXLVII
«Já só 15% dos trabalhadores em Portugal são sindicalizados. De acordo com a OCDE, Portugal registou a segunda maior queda da taxa de sindicalização, nos últimos 40 anos. Em quatro décadas, a taxa de sindicalização dos trabalhadores portugueses caiu de 60,8%, em 1978, para 15,3%, em 2016». Isabel Patrício, Jornal “ECO”, 19/11/2019.
«Fui um bom profeta, pele menos, melhor do que Marx. Ele previra o colapso do capitalismo, eu previ o contrário, o fracasso do socialismo». Roberto Campos (1917-2001, economista, político e diplomata brasileiro).
Uma má notícia, aliás, com foros de desgraça, nunca vem só!
Reparem, o PCP conjuntamente com o seu moço de recados sempre às ordens, o PEV, obteve nas últimas eleições 6,46% dos votos do eleitorado, a que corresponderam 329.241 votos que se traduziram em 12 deputados, uma queda brutal e irreversível se considerarmos os 12,46%, a que corresponderam 711.935 votos e os 30 deputados eleitos em 1975, a estes números dever-se-ia adicionar os do MDP/CDE, verdadeira muleta do PCP, ou seja; mais 236.318 votos, mais 4,14% e mais 4 deputados. Se somarmos o PCP com o MDP/CDE, teremos: 948.253 votos, 34 deputados e uma percentagem global de 16,6%.
A comparação traduz uma verdadeira hecatombe sob qualquer ponto de vista, aritmético ou, sobretudo político, e não augura nenhum futuro radioso do género; “o sol a brilhar para todos nós”, antes pelo contrário, o caminho para a sua total e inocultável irrelevância a relativamente curto prazo.
Como se não bastasse, a esta derrocada eleitoral, junta-se a queda também brutal dos trabalhadores sindicalizados, uma perda importantíssima para a CGTP-Intersindical, braço armado do PCP, de longe, a principal central sindical e a que mais benefícios recolheu com a sindicalização dos trabalhadores.
O destino é inelutável, estes números traduzem – apesar de o PCP ser um partido Estalinista e que resistiu muitíssimo bem aos ventos da História – aquilo que aconteceu um pouco por todo o lado, sobretudo na Europa, o declínio irreversível – mesmo sem acontecer o fim da História como sempre alegam os comunistas em sua defesa e enquanto vaticínio que não se verificou –  do comunismo e a sua rejeição universal enquanto filosofia de ciência política que se propunha resolver os problemas da humanidade e de acordo com as grandes expectativas que gerou.
O declínio do comunismo começou em 1953, em Berlim, com as greves e manifestações contra o regime, prosseguiu em 1956, em Budapeste, com o povo desarmado a enfrentar os tanques do exército vermelho, de novo, em 1968, em Praga, com o levantamento popular por um comunismo de “rosto humano” e acabou em 1989 – sem falar no movimento do Solidariedade na Polónia e das suas cíclicas greves – em Berlim, com a queda do Muro, todas estas revoltas populares e a repressão brutal a que deram lugar, desacreditaram-no irreversivelmente e provocaram inúmeras dissidências um pouco por todo o mundo.
Não foi o fim da História mas, muito provavelmente, será o fim do PCP e da CGP-Intersindical – o que é pena, os sindicatos são precisos ao serviço dos trabalhadores e não ao serviço dos partidos, talvez a razão principal que explica o seu retrocesso e queda imparável – e, se não for o seu fim, será o seu declínio enquanto forças políticas e sindicais capazes de influenciar o nosso destino colectivo, como aconteceu até hoje.
Nada que me faça perder o sono…

 

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