Avançar para o conteúdo principal



PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCXLI
«[…] ERA UMA HUMILHAÇÃO PARA UM EX-PRIMEIRO-MINISTRO VIAJAR EM CLASSE TURÍSTICA». José Sócrates, ex-Primeiro-Ministro.
No interrogatório da fase de instrução da Operação Marquês conduzido pelo juiz Ivo Rosa, José Sócrates justificou a opção de viajar em classe executiva nas múltiplas deslocações aéreas que fez depois de abandonar a governação do país, em 2011, dizendo que, no seu entender, «era uma humilhação para um ex-primeiro-ministro viajar em classe turística». Felícia Cabrita, Jornal “SOL”, 10/11/2019. 

Lê-se e tem-se dificuldade em acreditar. Sócrates não era do Partido Socialista? Era, logo, ele próprio tinha obrigatória e evidentemente, que ser socialista. Acontece que o Processo Marquês veio pôr a nu, veio infirmar rotundamente essa sua qualidade de socialista pois Sócrates era um político que vivia rodeado de um luxo que não podia pagar, alguns exemplos: um apartamento de Luxo no Edifício Heron Castilho; um Mercedes-Benz topo de gama que custou 100.000 euros, férias na neve e em Formentera em estâncias de luxo, fatos comprados no “Rodeo”, em Los Angeles, por 15.000€; apartamento de luxo no XVI ème em Pais, só o melhor bairro residencial de Paris, refeições em restaurantes de luxo em Paris, “que sais-je”? 

A verdade é que não é proibido um político gostar, viver e cultivar luxos, só que num socialista a coisa fia mais fino, soa mal, choca porque vai contra a essência da ideologia; não é o socialismo que preconiza a sociedade sem classes e o fim da exploração do homem pelo homem? E qual é o lugar dos luxos num sistema desses? Pois, aí é que a porca torce o rabo, são totalmente incompatíveis, como é evidente. 

Quando me lembro de Olaf Palm, um verdadeiro social-democrata, abatido à saída de um cinema, sem chauffeur nem guarda-costas, nem mordomias, chego à conclusão de que Sócrates não passa de um mero oportunista, entre outros nomes que lhe assentavam que nem uma luva e que o homem bem merecia! 

Outra reflexão que me assalta, tem a ver com o facto de ca. de 2.600.000 portugueses terem votado PS, logo, nele, como se sentirão hoje? O que pensarão dos alertas e avisos reiteradamente feitos por inúmeros cidadãos naquela altura, como, por exemplo, Manuela Ferreira Leite? 

Fazem “mea culpa”, reconhecem que se enganaram? Como vão expiar esse sentimento e essa legitima frustração? Não me digam que vão continuar a votar no PS?   


 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXIX                                                                                       14/04/2025                                                                           HOLODOMOR E RUSSIFICAÇÃO: DOIS EVENTOS QUE EXPLICAM EM GRANDE PARTE A UCRÂNIA ACTUAL… “A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos”, Cícero. E é incontornável para se perceber melhor o presente e o passado recente… Um breve resumo do que foi o H...
  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXX                                                                                         15/05/2025                 “A escolha do Instituto Técnico de Alimentação Humana (ITAU), um dos clientes da antiga empresa de Luís Montenegro, para fornecer refeições à Santa Casa da Misericórdia foi decidida pela anterior provedoria liderada por Ana Jorge, indicada pelo Governo de Costa ”, “ECO”, 11/05/2025                                                  ...
  REFLEXÕES SOBRE A ACTUALIDADE – CCCLXXIX                                               29.09.2025                                                 “BYE-BYE”, GOVERNO SOMBRA DE ANDRÉ VENTURA… “O fracasso não tem amigos”, John Kennedy. Não faz parte da tradição política portuguesa a existência de Governos-sombra, mas é pena porque a sua existência é salutar e benéfica para a democracia. A cada momento, um dado Governo é sujeito a crítica e escrutínio nas diferentes áreas da Governação e, para além disso, à solução alternativa que o titular da pasta em questão faria na circunstância. Por estas razões, só se poderia louvar a criação e a instituição pelo Chega dessa iniciativa. Numa análise, para já muito sumária...