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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MCCXXIX 

A UNIÃO FAZ A FORÇA… 

O Condado de Barcelona esteve sob o jugo de reino de Aragão, primeiro, e depois, após a unificação de Aragão e Castela, sempre submetido à suserania de Espanha. Quer isto dizer que é uma falácia falar da independência da Catalunha ou do reino da Catalunha. Também é verdade que a sua ânsia de liberdade e a sua luta contra a Espanha, que num determinado momento histórico coincidiu com a nossa, nos ajudou muitíssimo a recuperarmos a nossa independência em 1640, e teve como consequência manter a sua sujeição e completa dependência de Madrid. A Catalunha nunca foi independente. 

Confesso que, embora compreenda a sua vontade de independência, a mesma faz muito menos sentido hoje, que estamos todos integrados na Europa e que devemos unir-nos cada vez mais para evitar o caminho para uma total irrelevância da Europa perante os grandes poderes no mundo: USA; China, Japão, Rússia e, no futuro próximo, Índia.  
 
Já nem falo na defesa da Europa – face ao isolacionismo de Trump e à sua “traição” aos seus aliados naturais – e no seu atraso tecnológico perante, pelo menos, os USA e a China.  

Assim sendo, se considerarmos o altíssimo grau de autonomia da Catalunha que inclui o direito à utilização de língua própria, o que a Catalunha tem a perder com uma hipotética independência, dá que pensar: 

1.      Sai da União Europeia.

2.      Sai do Euro.

3.      Perde protecção do Banco Central Europeu.

4.      Perde fundos estruturais (ca. de 1,5 mil milhões de euros).

5.      Passa a pagar taxas nas exportações para a União Europeia.

6.      Sofrerá com a deslocalização de mais empresas, cerca de 900 abandonaram Barcelona e a Catalunha na crise do referendo em 2017.

7.      Perde a liberdade de circulação de pessoas, capitais e bens de que frui hoje.

8.      Assume a sua dívida pública. 

Fone: Programa “Global” de Paulo Portas, TVI, 20/10/2019. 

Imagino, contudo, que com a continuação dos tumultos que atingem uma proporção insurrecional, o turismo e as actividades económicas que lhe estão adstritas, já devem estar a sofrer enormemente. 

Por tudo isto, e por o Referendo de 1 de Outubro de 2017 ter sido uma farsa e constitucionalmente uma rotunda ilegalidade – todos os observadores internacionais rejeitaram os termos em que foi convocado e a falta de garantias, de isenção e seriedade com que foi levado a cabo – tenho muita dificuldade em perceber o que ganhariam os Catalães com a independência da Espanha, um país – goste-se ou deteste-se os espanhóis e a tradição que falta provar, de que “de Espanha nem bom vento nem bom casamento…”  – inteiramente democrático e constituído por várias nacionalidades que só o enriquecem e diferenciam. 

A Espanha é um dos países com mais forte identidade que conheço, espero que mantenha estas características, de preferência, unida…

 


 

Comentários

  1. Muito certo.
    Os catalães têm, com a autonomia, tudo podem obter com a independência menos a própria independência. Se há alguma coisa que ainda não tenham, o caminho correcto é pedi-la ao governo central, em vez de fazerem manifestações na rua, que só têm, como resultado, a violência e o caos.

    ResponderEliminar
  2. Duvido que este seja o caminho para a independência, aliás, a televisão dizia ontem que a actividade económica teve uma queda de entre 30 a 40%!
    Só!
    Se acrescentarmos todas as razões que enunciei, não percebo por que raio estarão os Catalães interessados na independência?!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não disse que os catalães devam pedir a independência, porque isso está fora de causa. Disse, sim, que se houver alguma coisa, que ainda não esteja contemplado na autonomia, e que desejem obter, o caminho é pedi~lo pacificamente ao governo de Espanha. Desculpe, porque o sentido do meu comentário não estava claro, e até parecia contraditório.

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