PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCXXXV
«PROGRAMA DO GOVERNO –
FIM DOS CHUMBOS ATÉ AO 9º ANO». Parangona do Jornal
“i”, 28/10/2019.
“Aprende-se mais
depressa com a dor”. Autor desconhecido.
Não, não sou a favor da
punição corporal no ensino – mas também não sou a favor da bandalheira que se
tem vindo a instalar – a verdade é que já foi um método para se aprender mais
rapidamente, mas nem oito nem oitenta…
No meu tempo havia a
primária, 4 anos, e o ingresso no Liceu ou no ensino técnico, como fui para o
Liceu, comparo com a minha experiência pessoal. Após os 4 anos de primária,
tínhamos 5 anos até ao 5º ano que se dividia em duas partes: letras e ciências
e era um exame com uma matéria extensíssima e muito difícil pelo que muita
gente fazia-o em dois anos, primeiro letras, depois ciências, ou vice-versa. A
minha geração lembra-se bem disto.
Quem fizesse o 5º ano
ficava com uma excelente formação de base que abrangia o conhecimento de um
pouco de tudo, do português, da história, das línguas francesa e inglesa nas
Letras, até às Ciências; matemática, físico-química e geografia, para citar só
o essencial. Havia o exame de Admissão ao Liceu, o do 2º ano, o do 5º ano e,
por fim, o do 7º ano e Aptidão à Universidade, nos antípodas daquilo em que estão
a transformar o ensino hoje.
Então este Governo pretende
abolir os exames até e também neste grau de ensino? Pois acho isto de uma
imbecilidade atroz que só vai criar mais analfabetos funcionais e mais
info-excluídos voluntariamente ou não!
Só um Governo
constituído por nulidades de primeiro grau, encabeçadas pelo Grande Vizir dos
incapazes – que nem português sabe, diz recorrentemente: “PRECARIDADE” – pode
estar de acordo com o descalabro que nos espera e a insensatez de uma medida desta
natureza.
Se alguém não tiver
ainda nenhuma razão de queixa deste Governo acabado de empossar com este
programa, já tem uma razão fundada para discordar do mesmo – seja pelos filhos,
seja pelos netos, seja pelo grau de (i)literacia com que pretendem dotar o País
– para estar contra doravante, sistemáticamente, sem apelo nem agravo, sem dó.
Isto é verdadeiramente descoroçoante
e não me venham com novos métodos de ensino e com pseudo-psicologias aplicadas
que atestam pelos bons resultados desta medida mas que não passam de
experimentalismos ocos, bacocos, inúteis e que resultam num grau de ignorância
colectiva assustadora com que hoje somos sistemáticamente confrontados – para o
aferir, basta ler o português utilizado nas redes socais – seja pelos alunos, sobretudo nas
Universidades, seja pelos cidadãos indiferenciados, seja pelos (alguns)
jornalistas e as calinadas permanentes que cometem com a utilização da língua
portuguesa.
É preciso exames, é
preciso transmitir aos alunos a necessidade do trabalho, do rigor, do esforço
sem o qual nada se consegue. Os exames são essenciais porque obrigam a
trabalhar a matéria e a consolidar o conhecimento adquirido, além de que permitem
aferir resultados impossíveis de verificar satisfatória e cabalmente sem este
método.
Se todos passam, não há
incentivo nem elogio, nem auto-satisfação, muito menos, condenação e
correlativa sanção, é o facilitismo total, é uma acabada balda! Vão acabar por exigir
exames só para entrar na Universidade? Às tantas, nem para esse fim! Não é
assim que se acaba com o insucesso escolar, como é óbvio, assim só se pode
aprofundá-lo.
Esta medida é típica de
um Governo que não governa, desgoverna, de um simulacro de Governo – desde já,
na área do ensino – e que transmite a ideia de rebaldaria completa, que é
aquilo em que este Governo vai transformando o País, já está a fazê-lo,
“doucement”, em pantufas, como convém…
Acabo com uma citação de um velho texto cristão que me
parece apropriada: “Um homem torna-se tudo ou nada, conforme os ensinamentos
que recebeu».
Ora se o homem não aprende nada porque o ensino nada exige
nem nada ensina, é o nada colectivo que nos espera… viva o socialismo e os seus
métodos superiores!
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