PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA -
MCCXXVII
«Passos ficará na História por
várias razões. Uma delas é esta: é o homem que matou o PCP. Matou-o
indiretamente ao ser o motor negativo da geringonça; tê-lo-ia matado
diretamente caso tivesse permanecido no poder. Não é um pormenor». Henrique
Raposo, jornal “Expresso Diário”, 17/10/2019.
“A ditadura do proletariado constitui-se na
transição para atingir uma sociedade sem classes“. Karl Marx.
Eu sou da opinião de que Passos é
mais um catalisador do que um “assassino”. O comunismo, pelo menos o Europeu,
há muito que morreu e só não morreu em Portugal fruto de algumas
características especiais que ainda perduram e tendem a desaparecer de vez:
Remotamente; 48 anos de Estado
Novo. O país foi governado com mão de ferro pela extrema- direita autoritária –
muito fruto do caos absoluto da I República –, após o 25 de Abril, o natural
era que se inclinasse para o polo oposto, a esquerda, como aconteceu.
Próxima e sucintamente; o
comunismo falhou em toda a linha. Em primeiro lugar, falhou ideológicamente; só
para dar um exemplo, é difícil compreender a coerência de conceitos como o de Ditadura
do Proletariado e o do subsequente extinção do Estado, como muito bem explica
Raymond Aron: “a Ditadura do Proletariado é o reforço supremo do Estado antes
do momento crucial em que este último desaparecerá”,[1]
e continua: “[…] se supusermos uma planificação da economia, é inconcebível que
não haja organismos centralizados que tomem as decisões fundamentais implicadas
pela própria ideia de planificação”. Ou seja, não é possível acabar com o
Estado numa economia planificada por excelência. Ora Marx prevê o fim do Estado
e a transitoriedade da Ditadura do Proletariado, é por isso que Aron conclui:
“[...] as duas ideias de planificação da economia e de perecimento do Estado
são contraditórias”.
A história ensina que nunca houve
o fim do Estado, a Ditadura – que nem sequer foi de Proletariado algum –
impôs-se sempre.
Depois, falhou materialmente, não
houve nenhuma sociedade comunista que tenha satisfeito razoavelmente as suas
necessidades básicas, a regra foi sempre a escassez, a penúria generalizada –
excepto para os dirigentes que sempre viveram rodeadas de privilégios,
mordomias e luxos que ganharam um carácter obsceno, considerando as carências
generalizadas desses inditosos povos – e a incapacidade de competir minimamente
com o bem estar generalizado a Ocidente.
Finalmente, falhou na capacidade
de manter e fortalecer um Estado que desse garantias de liberdade e de
protecção aos cidadãos indiferenciados: o Estado de Direito, feito letra morta
e reduzido a uma figura de estilo, oca, vazia de conteúdo e sob o jugo das
várias KGB.
Por tudo isto, o comunismo está
morto, em Portugal ainda não foi enterrado mas aprestam-se – a Geringonça deu
um bom contributo – a pegar no féretro para o levar para o crematório.
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