PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCXXIII
«Portugueses pagaram 1114 milhões de euros em
portagens em 2018. As receitas de portagens renderam às concessionárias cerca
de 1114 milhões de euros no ano passado, mais 79 milhões do que em 2017,
segundo dados da Associação Portuguesa das Sociedades Concessionárias de
Autoestradas ou Pontes com Portagens (APCAP)». Jornal “Expresso”
de 6/08/2019, citando o jornal “CM”.
Esta notícia tem um problema, induz o leitor
em erro. E induz em erro porque os portugueses pagaram muito mais do que isso,
na realidade, pagaram mais do dobro daquele montante.
Uma coisa é o pagamento directo do
automobilista quando circula nas portagens, em cash ou através da via
verde, outra coisa é o custo que o Estado paga – nós todos, nós somos o Estado!
– pelas ditas concessões às empresas que firmaram os contratos das PPPs com o
Estado e que as construíram. E isso devemos agradecer àquele excelso governante
que dá pelo nome de José Sócrates que nos deixou um encargo de mais de 30 mil
milhões de Euros para pagar nos próximos 30 anos!
A título de exemplo, refiro o custo das mesmas
nos últimos 3 anos, de novo, com um Governo socialista:
Em 2016: 1211,3
milhões de Euros
Em 2017: 1136
milhões de Euros
Em
2018: 1171 milhões de Euros
Quer
isto dizer que ao custo das PPPs negociado pelo Governo de Sócrates e pago por
todos os contribuintes, há que acrescentar o custo da utilização, a verba
referida em supra, ou seja, 1114 M€, mais 1171M€, ou seja, um total de 2.285M€,
só em 2018!
O
que nos vale é sermos um país rico!
Uma
das coisas que nunca consegui compreender neste negócio foi o seguinte:
O
grosso destas parcerias foi feito por José Sócrates e pelo seu Governo, algumas
destas concessões foram ganhas pelo Grupo Lena. O CEO do Grupo Lena era na
altura, Carlos Santos Silva, o grande amigo de José Sócrates, Sócrates era
Primeiro-Ministro nessa época. Estes factos são sobejamente conhecidos, fazem parte
dos autos do processo Marquês.
A
minha pergunta é a seguinte: como é possível que o Primeiro-Ministro deste país
aceite emprestado – bom, ele reconheceu que não sabia se tinham sido meio
milhão de Euros, se 1 milhão, se menos ou se mais, não sabia, ponto! – verbas
avultadas do CEO de uma empresa que tem negócios com o Estado no mesmo momento
em que recebeu o empréstimo?
Alguma alma caridosa que me
explique isto? Esta descarada pouca vergonha que faz de nós uma legitima e
incontornável República das Bananas, talvez um daqueles defensores acérrimos de
Sócrates esteja em melhores condições de o fazer?
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