PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCLXXXIV
«Os confrontos com a polícia e as mais de 20 pessoas que foram detidas não
assustaram os milhares de manifestantes pró-democracia que voltaram a desfilar
este domingo nas ruas de Hong Kong». Jornal “Observador”, 5/08/2019.
«Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em
conquistá-la». Goette.
Sistemáticamente, de há meses a esta parte, há manifestações gigantescas em
Hong-Kong a favor da democracia e da liberdade. É sabido que Hong-Kong, sendo
um reduto capitalista cercado pela China, o seu poderoso vizinho comunista,
alberga no seu território inúmeros emigrantes e refugiados chineses que têm
memória e que fugiram ao regime comunista e à miséria que ele sempre engendra, muito
antes de a China se tornar no colosso dos nossos dias e da solução inventada pelo
genial Deng Xiaoping: “Um país, dois sistemas”, ter sido adoptada no
acordo firmado com a Inglaterra em 1997, a China concedia-lhe grande autonomia
administrativa durante 50 anos.
No ano de 2047, a China recuperará a integralidade da soberania sobre o
território de Hong-Kong – o que está em causa desde já é a extradição
para a China de cidadãos indiferenciados e, mormente, dos activistas que
protestam neste momento – e essa data é já amanhã...
A partir de agora, para os que forem extraditados, terão que se haver com o
regime de justiça chinês, opaco e controlado políticamente – à boa maneira
comunista – pelo Partido Comunista Chinês.
Mas o horror ao comunismo e a vontade de manter a democracia e a liberdade
individual instituída pelos Ingleses,
isto é, a possibilidade de controlar o seu próprio destino, permanece cada vez
mais forte perante a cada vez mais próxima data da subjugação total à China e
ao seu sistema político que não dá nenhuma garantia aos cidadãos por ser ditatorial
e completamente ao arrepio do Estado de Direito e das suas regras.
Depois de terem vivido em democracia durante longo tempo, os cidadãos de
Hong-Kong rejeitam o totalitarismo – neste caso, comunista – esse sistema
político despótico, falhado e em refluxo
um pouco por todo o lado, natural e compreensivelmente.
Quem tiver visitado a China e Hong-Kong há décadas atrás, compreende melhor
estas manifestações, essencialmente, devido à completa liberdade que se vivia e
fruía em Hong-Kong desde que se tornou colónia Inglesa. O colonialismo não teve
só coisas más…
Há uma coisa que os cidadãos de Hong-Kong esqueceram e devem ter presente;
os comunistas costumam resolver estes casos mandando os tanques esmagar as
multidões, literalmente, como fizeram em Budapeste, em 1956, em Praga, em 1968
e em Pequim, Tian'anmen, em 1989, no que constituiu um verdadeiro massacre!
Ainda hoje não se sabe quantas pessoas foram chacinadas.
Os cidadãos de Hong-Kong têm que fazer um
esforço de memória e, sobretudo, ter muito cuidado!
Acabo com um preceito de Confúcio que me parece apropriado à situação e que
os seus conterrâneos entenderão melhor do que nós, pobres ocidentais:
“Se queres prever o futuro, estuda o passado”…
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