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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCLXIX
«Espero que o PS tenha maioria absoluta, em todos os convites que me fizeram depois de ter sido Ministro de Sócrates, acabaram, por me desconvidar», Freitas do Amaral, Jornal “Sol”, 6/07/2019.
Não há dúvida que Freitas do Amaral é um político com um percurso peculiar, para dizer o mínimo…
Se alguém tiver lido a sua obra: “O Antigo Regime e a Revolução - Memórias Políticas (1941-1975)”, uma maneira de  citar Alex Tocqueville de quem reconhece ter tomado emprestado o título de uma das suas obras mais famosas:  L'ancien régime et la révolution,  constatará que Freitas do Amaral é um grande pensador e, ao mesmo tempo, o que é uma incongruência, com um percurso político bizarro, à prova das mais variadas e desvairadas críticas (quem não quer ser lobo não lhe veste a pele…): de Procurador à Câmara Corporativa do Estado Novo, a Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates. É verdade, de um vulto absolutamente menor como José Sócrates! Já não falo de um vulto que ganha a forma de gangster se a acusação do Ministério Público se vier a provar e o mesmo for condenado em Tribunal depois do calvário de recursos a que estamos habituados, a que a justiça nos habituou, até que qualquer político português vá parar à cadeia…
Seja como for, pelo título do jornal “Sol” que cito em supra, retiro uma única conclusão, simples, quase linear: Freitas do Amaral ainda não desistiu, vai ser a sua segunda tentativa, de ser Presidente da República com e pelo voto das esquerdas!
É, parece impossível mas não é! Freitas do Amaral joga num arrefecimento das relações entre o PS, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, quiçá numa ruptura que leve o PS a ter o seu próprio candidato, ele mesmo. Amaral sabe que grande parte do centro e da direita não apoiarão Marcelo numa recandidatura e também sabe que Marcelo só será reeleito – nestas circunstâncias completamente diferentes das eleições em que ganhou com o apoio esmagador do centro e da direita – com os votos também da esquerda.
Se houvesse ruptura, ele poderia ter a sua chance não fora o caso de grande parte da esquerda, do PCP ao BE, ainda verem Freitas do Amaral como um digníssimo representante do “fascismo” e dos interesses do patronato e da classe dominante mais retrógrada e reacionária.
E, embora não lhes dê razão, neste livro apercebemo-nos bem dos esforços que o autor fez para firmar e afirmar o CDS no conjunto dos partidos que formaram o regime, e da luta em que sempre porfiou para combater o comunismo e o socialismo nos idos de setenta e do 25 de Abril. Pelo seu percurso posterior à sua saída do CDS, verificámos que renegou grande parte da sua luta e que mudou de lado políticamente. A democracia é feita de mudança só que num digníssimo Professor catedrático de Direito Administrativo, essa mudança é esquisita, anormal, parece interesseira…
Ver Freitas do Amaral candidato do PS a Belém e ganhar as eleições, julgo que será mais fácil ver um árabe abjurar o Islão, converter-se a Testemunha de Jeová e empanturrar-se com carne de porco acompanhada de "Chivas Regal"…
P.S. – Freitas do Amaral é desconvidado e queixa-se, devia saber que Sócrates é equivalente a peste, genuinamente letal, até o PS percebeu isso quando o pôs na rua…

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