PENSAMENTO(S) SIMPLES
DO DIA – MCXIX
«É de pior sorte a traição do fraco que a valentia do forte».
Aforismo popular.
«[…] a geringonça, seja ela de que contornos for [de direita
ou de esquerda], está prestes a chegar a Espanha». Miguel Cadete, Jornal
“Expresso-Curto”, 29/04/2019.
Mas
será mesmo assim? Não creio, arrisco mesmo dizer: NI HABLAR…
O
que constituiu uma gravíssima traição ao eleitorado em Portugal e que esteve na
base da constituição da Geringonça não foi, como pode agora acontecer em
Espanha, uma coligação pós-eleitoral à esquerda ou à direita por parte do PSOE,
nada disso, em Portugal o que tivemos foi uma omissão gravíssima por parte de
António Costa e do PS que estavam fartíssimos de saber que Costa não ganharia as
eleições – todas as sondagens lhe atribuíam à volta de 32%, número que, de
facto, veio a alcançar e insuficiente para governar – e que, mesmo assim, foi
incapaz de dizer ao eleitorado em geral, e aos seus correligionários em
particular, que se ia aliar aos comunistas do PCP e do BE. O que para quem
conhecer a história da democracia em Portugal, pode classificar como uma
consumada traição.
Costa
e os seus correligionários que alinharam na golpada, sabiam que esse
pré-anúncio, como era sua estrita obrigação moral – democracia é transparência
por definição, nada pode ou deve ser feito nas costas do eleitorado e à revelia
do seu conhecimento e agrément, quando necessário – teria, é mais do que certo,
efeitos devastadores em perda de votos e não quiseram correr riscos de espécie
alguma, queriam o poder, custasse o que custasse, incluíndo o sacrifício da
integridade e honestidade intelectuais dele e da sua entourage.
Foi
assim que Costa se aliou aos seus piores e únicos inimigos – os outros partidos democráticos não
são inimigos, são adversários como é próprio da democracia – os
comunistas e dentro deles, o PCP, o pior e mais implacável detractor do PS e
daquilo a que sempre chamou, a sua política de direita, desde os anos da brasa
de 1975.
Quer
isto dizer que as situações não são comparáveis, o eleitorado espanhol sabe,
sabia antes de votar anteontem, que coligações à esquerda ou à direita, a partir do
momento que o bi-partidarismo encabeçado pelo PSOE à esquerda e pelo PP à
direita, acabou, que inevitável e inelutavelmente haverá coligações sob risco
de a democracia espanhola se tornar inviável.
Não,
Costa não servirá de exemplo a ninguém e a servir só se fosse pela negativa,
pelas más razões e mau exemplo – por mais que os seus partidários e os jornais
que o enaltecem permanentemente como se fosse um génio da política, proclamem –
ninguém gosta de copiar ou seguir autores de obras espúrias, reprováveis e,
necessáriamente, não recomendáveis por definição…
Elementar…
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