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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MLXXIV
«Num almoço-debate na sede da Associação 25 de Abril, em Lisboa, Jerónimo de Sousa foi desafiado pelo presidente daquela organização, o coronel Vasco Lourenço, a contribuir para manter a actual solução que viabilizou o Governo minoritário do PS, a denominada “geringonça”, com acordos parlamentares entre PS, BE, PCP e PEV». Jornal “Público”, 12/03/2019.
«O tempo revela a verdade». Séneca.
Leio o incentivo de Vasco Lourenço a Jerónimo de Sousa do PCP, e não acredito no que leio.
Não está em causa a Associação 25 de Abril convidar e receber condignamente Jerónimo de Sousa, claro. O que está em causa é pôr em causa a história recente de Portugal…
Vasco Lourenço precisa, com urgência, de tomar Memofonte ou outro revigorador da memória desse ou de um calibre mais forte…
Acaso, por ventura, Vasco Lourenço se esqueceu de que Jerónimo de Sousa foi dos que, em 1975, tentou instaurar uma ditadura comunista em Portugal, no tempo do PREC com a ajuda dos seus fidelíssimos amigos Estalinistas? E ele, Vasco Lourenço e mais oito militares, formaram o chamado na altura, Grupo dos Nove que, corajosamente, impediram a tomada de poder pelos comunistas, travaram a revolução e as suas veleidades, já se esqueceu? Não há outra explicação…
Mas tudo isso poder-se-ia considerar um “fait-divers” não fosse o caso de o Governo actual do PS – e pelos vistos, futuro, visto que Lourenço apela ao PCP para manter esta solução – não dependesse das forças que Vasco Lourenço achou perigosíssimas para a democracia em 1975 e contra as quais estava disposto a empunhar armas. Toda a gente sabe que a guerra civil esteve por um triz nessa altura e garantido, garantido era o facto de Jerónimo de Sousa estar de alma e coração de um lado da barricada, o da revolução, e Vasco Lourenço do outro, o da democracia, burguesa ou não.
É por isso que sempre houve muita gente a considerar que os militares têm que estar confinados às casernas porque quando vêm  para a política – é só asneiras, inconsequências, incoerências e incongruências… nos idos do Estado Novo, ficou célebre a frase do General Santos Costa: “a lei está na ponta da minha caneta”…
Não há regra sem excepção, e uma delas foi o 25 de Abril que pôs termo a um regime  anacrónico, obsoleto e completamente isolado internacionalmente, não obstante, contrariamente ao heroísmo com que se pretende ficcionar a acção dos militares antes do 25 de Abril, a sua motivação foi estritamente corporativa, nada de ideais de democracia ou de socialismo… e a verdade, por mais manipulações, esquecimentos e cambalhotas que deem e que pratiquem, o tempo encarregar-se-á de a pôr a claro! E os papéis que cada um desempenhou, por mais palmadinhas nas costas e elevados protestos de lutaram pelo mesmo fim, também…

 

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