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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MLXXXIII
«Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos». Antoine de Saint-Exupéry.
José Sócrates ganhou as eleições com maioria absoluta em 2005, concretamente com 2.588.312 votos, que corresponderam a 45% dos sufrágios, foi até hoje, a única maioria absoluta do PS, o que significa, naturalmente, que a grande maioria dos portugueses votou nele e por extrapolação simples, a maioria dos professores também.

Em 2009, tornou a ganhar, desta vez com 2.077.695 de votos, cerca de 37% dos votos do eleitorado, apesar do caminho para o abismo já estar perfeitamente visível para uma parte não negligenciável dos portugueses.
Também não sei qual terá sido a percentagem de professores que votou nele em 2009, mas também não deve ter sido pequena.
O congelamento das carreiras e de salários, a baixa de pensões e o CES (Complemento Especial de Solidariedade sacado compulsivamente nas pensões de todos os portugueses acima de um determinado valor) e todas as outras grandes vilanias de que fomos todos vítimas incluíndo os professores, devem-se-lhe a ele quando conduziu o país para a falência, para uma ignóbil bancarrota que demorará décadas a pagar e a sarar. (Os alemães elegeram Hitler em 1933 e ainda hoje pagam por isso…).
É por tudo isto que eu tenho alguma dificuldade em perceber a posição dos professores que querem agora recuperar os cerca de nove anos em que a profissão esteve congelada. Por ventura os professores acham que não tiveram nada a ver com o que se passou? A carreira esteve congelada também por sua responsabilidade embora indirectamente, por terem apoiado com o seu voto um demagogo e um irresponsável, por o terem escolhido – não me refiro aos crimes de que é acusado pelo Ministério Público e que se o Tribunal reconfirmar, farão dele o maior crápula que alguma vez nos governou – e que, como resultado dessa escolha, acabou por espatifar o país.
Os professores não foram os únicos a terem os salários e as carreiras congeladas, de uma maneira geral, todos fomos muitíssimo prejudicados e não se vê nenhum movimento de luta e de contestação idêntico aos dos professores para o Estado lhes repor tudo o que Sócrates lhes tirou!
Os professores abjuram e repudiam o seu voto em Sócrates e no PS? Ainda não dei por ela, devo andar distraído… o que é facto é que, sobretudo neste caso, o voto deve ter uma função pedagógica, não será assim?

 

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