PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MXLII
“Nunca
lutes com um porco, ficas
todo sujo, e ainda por cima o porco gosta», Bernard Shaw.
«[…]
boa parte da intelectualidade portuguesa e dos partidos à esquerda protegeram a
Venezuela de Chávez. E, acima de tudo, é visível na forma como quase toda a
gente aceita (aceitava?) a ideia de que as pessoas do PCP são mais honestas do
que as pessoas do PS, PSD ou CDS». Henrique Raposo, Jornal “Expresso
Diário”, 08/02/2019.
Os intelectuais de esquerda não
protegem um regime político de esquerda na Venezuela, protegem um regime
chefiado por um criminoso.
Quanto ao resto, vem isto a propósito
dos últimos casos em que o PCP e os seus militantes se viram envolvidos e que
mostram, sem margem para dúvidas, que no PCP, além de não haver nenhumas
paredes de vidro, há muita opacidade e não há, de todo, mais honestidade... Houve dois casos recentemente de que
tomei conhecimento e que o comprovam:
o primeiro envolve o Pai de João
Ferreira – eurodeputado do PCP – Manuel Ferreira, ex-vice-presidente da
Associação dos Inválidos do Comércio, uma IPSS, sob a acusação de que esta
associação, durante o seu mandato, despejou inquilinos a fim de promover o
alojamento local. Não sei se é verdade ou se é mentira, mas acredito que seja
verdade se atentarmos na resposta de João Ferreira quando interpelado sobre o
assunto:
“Nunca lutes com um porco, ficas
todo sujo, e ainda por cima o porco gosta». É claro que João Ferreira não
queria e não podia desmentir o jornalista, pelo que virou costas ao mesmo após
esta tirada…
O segundo teve a ver com uma reportagem
na TVI, que passou a 7 de Fevereiro, da responsabilidade da jornalista Ana
Leal, em que denunciava uma porção de casos de autarcas do PCP derrotados nas
autarquias por onde concorreram e a quem o PCP, nas autarquias em que ganhou as
eleições, promoveu um conjunto de contratos por ajustes directos com essas
pessoas, por coincidência, todas filiadas no PCP.
As respostas e justificações do
Presidente da Câmara do Seixal, (que ao menos, teve a coragem de responder à
jornalista e não lhe virou costas como fez João Ferreira…) um dos principais
empregadores dessas pessoas com contratos muitíssimos generosos económicamente,
quando não escandalosos, foram genericamente, manifestamente insuficientes e
pouco esclarecedoras, e dando como justificação, invariavelmente, a sua
competência nas áreas que iam assessorar…
Então e os concursos abertos a
qualquer pessoa para provimento de lugares públicos – como manda a lei – para
que servem? Quem quer que tenha visto o programa não ficou com dúvidas sobre o
compadrio, o amiguismo e nepotismo que o PCP exerce onde é poder…
A conclusão é só uma: durante
anos o PCP manteve uma aura de integridade moral e superioridade ética sobre
todos os outros partidos – que se começou a desmoronar com os crimes do
Estalinismo denunciados por Khruschov no XX congresso do PCUS em 1956 – basta pensar nos casos de Sócrates, Armando
Vara, Penedos, Duarte Lima, Arlindo de Carvalho e Oliveira e Costa, só para
referir os principais.
Só que, entretanto, embora estes
casos se passem ao nível das autarquias, o PCP é hoje um partido do poder, e o
poder, para além de corromper, como toda a gente sabe, propicia estes
acontecimentos e facilita estes casos a todos os níveis da Administração
Pública e até nas IPSS, como neste caso, e não exclusivamente restritos à área
autárquica.
Geringonça oblige...
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