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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – CMLXIX 

«As acções dos homens são as melhores intérpretes dos seus pensamentos». John Locke. 

«Durante a Guerra Fria, os intelectuais bem-pensantes, em França, na Itália ou em Portugal, eram marxistas e revolucionários, defendiam o sistema totalitário soviético e desprezavam os regimes liberais ocidentais». Entrevista a Carlos Gaspar, do Instituto Português de Relações Internacionais, autor de Raymond Aron e a Guerra Fria, editado pela Alêtheia, 26/11/2018. 

E isso foi trágico, deu força aos Estalinismo e aos seus sequazes e incentivou a juventude a prosseguir esse caminho de defesa do totalitarismo em geral, e do Estalinismo muito em particular. 

Em Portugal viveu-se um ambiente fétido de intolerância por todos e por tudo o que não significasse identidade com esse ponto de vista. 

Inúmeros amigos meus, voluntariosos e idealistas e muitos jovens eram apanhados pela PIDE ao serviço do PCP e este, sem quaisquer pruridos morais ou hesitação, autêntica carne para canhão, usava  para alimentar o mito, a utopia mas que redundava na vida marcada para sempre desses desafortunados, logo aos 18 anos ou em idade próxima.
 
Outros emigravam após passarem pelos calabouços da PIDE, sobretudo para França, e de lá voltavam e mergulhavam na clandestinidade para lutar pelo derrube do Estado Novo, em organizações de extrema-esquerda, do género: “O Grito do Povo” ou similares. 

Como tudo teria sido diferente se os intelectuais portugueses tivessem tido uma atitude similar a Raymond Aron, corajosa, frontal, de denúncia de Estaline, dos seus crimes monstruosos e das suas enormes atrocidades e inseparáveis Gulags e, já agora, para não haver confusões do tipo de defesa do Estado Novo em contraponto ao Estalinismo, de acusação implacável de qualquer totalitarismo, de esquerda ou de direita. 
 
Fica o registo de Carlos Gaspar e o exemplo, grandeza e lucidez de Raymond Aron, para quem o quiser constatar lendo o livro…

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