PENSAMENTO(S) SIMPLES
DO DIA – DCCCXCVI
«Centeno provoca um
vendaval na esquerda ao elogiar austeridade grega. Socialistas contra
socialistas e Geringonça dividida». Parangona do jornal “i”,
21/08/2018.
Não obstante foi este mesmo Ministro que disse o seguinte:
«[…] o
ministro português das Finanças critica duramente a política de austeridades
imposta pela Europa a países como Portugal dizendo que se trata de “uma receita
errada, parcial e incompleta”.». Jornal Expresso, 1/06/2017. Fonte:
Então a receita para Portugal que sofreu
muitíssimo menos do que a Grécia – em Portugal os velhinhos nunca tiveram que
se contentar com levantamentos no multibanco limitados a 50€ por dia, como na
Grécia do Syriza, dos Gregos Independentes e de Varoufakis – estava errada e
era abertamente criticável, e agora que é Presidente do Eurogrupo, confrontado
com uma austeridade muitíssimo mais dura do que a nossa, que pilota do alto do
seu cargo de Presidente do Eurogrupo, já é de louvar e elogiar?
Acresce que Centeno fez sempre tábua rasa das
razões que levaram à austeridade – omitiu-as sempre cuidadosa e zelosamente –
que vivemos nos anos da Troika: a bancarrota provocada por José Sócrates e o
seu Governo, exactamente os actuais amigos socialistas de Centeno que o levaram
para o Governo!
Imaginam Galamba a criticar Centeno? É
verdade, fê-lo nos seguintes termos: ”trata-se
de um vídeo lamentável que apaga o desastre que foi o programa de ajustamento
grego”; Já José Gusmão, parceiro na Geringonça afirma: “ridículo e insultuoso para os gregos”! E Mariana Mortágua, também
parceira diz: “Não há nenhuma
diferença entre Jeroen Dijsselbloem e Mário Centeno - fazem o mesmo
branqueamento". Reparem,
não é a direita que o diz, é a própria esquerda sem contemplações nem paninhos
quentes… a direita diz e com carradas de razão, pela voz de João Almeida, que o
atual presidente do Eurogrupo é “incoerente
e tem duas caras”. Diz ainda: “É impossível achar que é a mesma pessoa
quando fala no Parlamento português e na Europa. A execução do programa foi
muito mais bem sucedida em Portugal, e isso não ser reconhecido é completamente
incoerente […]” e injusto, acrescento eu!
Mas a cereja no topo do bolo vem do ex-Ministro
das Finanças grego, o grande Varoufakis – em tempos apoiado por António Costa
quando saudava o triunfo do Syriza nas eleições gregas e dizia que era "um sinal de mudança" que dá
força a Portugal e a outros países europeus para seguirem a mesma linha”… –
que afirma sem pejo: “o vídeo tem a
estética/imoralidade da máquina de propaganda da Coreia do Norte”, esta não
é forte, é fortíssima…
É caso para perguntar: a austeridade acabou na
Grécia como acabou em Portugal? E os gregos também têm cativações e aumento de
impostos indirectos?
Há que perguntar ao Senhor Ministro Mário
Centeno, ele sabe…
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