Avançar para o conteúdo principal

 
PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA -  DCCCLXXXVI

 «Democrata é aquele que pratica a democracia e não aquele que dela apenas se reivindica». Francisco Sá-Carneiro. 

«Nunca fiz chantagem para ter maioria», António Costa, Primeiro-Ministro, “E – revista do Expresso”, 11/08/2018. 

Fez bem pior! Costa fica na história como um político que perdeu as eleições e que, mesmo assim, chegou ao poder sibilinamente e à revelia do conhecimento e acordo dos eleitores, sobretudo do seu partido, o PS. 

Antes das eleições ocorrerem, Costa há muito que sabia que as ia perder, bastava ver a evolução das sondagens, todas em queda e unanimes a apontar a sua derrota, e havia contactos prévios, sobretudo com o PCP – em declínio irreversível na altura e mais ainda agora – que se disponibilizou para com ele formar uma aliança que lhe permitisse, apesar de derrotado, assumir a chefia do Governo. Salvavam-se Costa e o PCP. 

Só que isso não chegava, Costa precisava para ter maioria de uma aliança que incluísse também os partidos da extrema-esquerda: BE e PEV, Costa omitiu – numa das mais cínicas e hipócritas operações políticas que um político pode patrocinar – do seu eleitorado e do eleitorado em geral, que se aliaria aos inimigos de sempre, sobretudo ao PCP, com quem travou uma luta de vida ou morte em 1975. Se o PCP tivesse ganho em 1975, o PS seria um partido morto… 

Esta aliança é constitucional, é verdade, também é legal, sem dúvida, mas é espúria, indecente e moralmente reprovável, é mais ou menos como dois partidos unidos (PSD/CDS) e que se apresentaram assim ao eleitorado e tiveram de longe o maior número de sufrágios, serem suplantados em número do votos por todos os outros partidos juntos (em Espanha ainda foi pior, claro que tinha que ser um socialista, Sanchez, a patrocinar e encabeçar esta acção que envergonha qualquer democracia digna desse nome e qualquer democrata que faça jus à palavra…), sem informação prévia, sem programa conjunto, sem unidade e ainda menos coerência, tudo em falta perante o eleitorado e de ser sufragado pelo mesmo, e falha de objectivos comuns que surgiram à posteriori; como as devoluções e reversões que o anterior Governo já tinha encetado – uma vergonha de âmbito nacional que nenhum verdadeiro democrata pode subscrever! 

De qualquer das maneiras, Costa tem um ferrete de que nunca se livrará, é um político derrotado mesmo que ganhe as próximas eleições com maioria, o tempo do ajuste de contas do eleitorado há-de chegar, é o que diz a história em relação a políticos desta natureza… 

E é muito bem feito, sobretudo quando vem atirar areia aos olhos com chantagem, quem é que falou em chantagem? Chantagem é o que ele faz todos os dias ao apresentar-se ao eleitorado como um P.M. legítimo e como se tivesse sido legitimado pelo eleitorado quando desprezou uma das regras básicas da democracia: transparência intrínseca e não alienável por oportunismo ou outras razões do foro pessoal, necessáriamente frágeis, efémeras e menores…

 

 

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXIX                                                                                       14/04/2025                                                                           HOLODOMOR E RUSSIFICAÇÃO: DOIS EVENTOS QUE EXPLICAM EM GRANDE PARTE A UCRÂNIA ACTUAL… “A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos”, Cícero. E é incontornável para se perceber melhor o presente e o passado recente… Um breve resumo do que foi o H...
  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXX                                                                                         15/05/2025                 “A escolha do Instituto Técnico de Alimentação Humana (ITAU), um dos clientes da antiga empresa de Luís Montenegro, para fornecer refeições à Santa Casa da Misericórdia foi decidida pela anterior provedoria liderada por Ana Jorge, indicada pelo Governo de Costa ”, “ECO”, 11/05/2025                                                  ...
  REFLEXÕES SOBRE A ACTUALIDADE – CCCLXXIX                                               29.09.2025                                                 “BYE-BYE”, GOVERNO SOMBRA DE ANDRÉ VENTURA… “O fracasso não tem amigos”, John Kennedy. Não faz parte da tradição política portuguesa a existência de Governos-sombra, mas é pena porque a sua existência é salutar e benéfica para a democracia. A cada momento, um dado Governo é sujeito a crítica e escrutínio nas diferentes áreas da Governação e, para além disso, à solução alternativa que o titular da pasta em questão faria na circunstância. Por estas razões, só se poderia louvar a criação e a instituição pelo Chega dessa iniciativa. Numa análise, para já muito sumária...