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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - DCCCLXV
«Acredito que se os comunistas têm sido mais inteligentes e a sua liderança um pouco semelhante à de Enrico Berlinguer, líder do PC italiano, eles teriam conquistado o poder. Não penso que as táticas de Álvaro Cunhal tivessem o apoio do povo. Ele era demasiado estalinista e 'pouco português'. Tinha estado muito tempo exilado. Se têm adotado uma posição mais moderada, teria sido mais difícil lidar com eles». Frank Carlucci, jornal “Expresso”, 05/06/2018.
«Não há comunismo sem ditadura, e não há liberdade sem democracia». Autor desconhecido.
Devemos em grandíssima parte, termo-nos livrado do comunismo em Portugal a Carlucci. Foi ele com a sua grande visão, persistência e presciência da complexa situação político-militar em Portugal em 1975, que conseguiu persuadir Kissinger de que Portugal não era um caso perdido para o comunismo – de que não era uma nova Cuba na Europa – e de que valia a pena apoiar as forças democráticas, com o PS à cabeça, para impedir tal desiderato.

Frank Carlucci morreu há pouco tempo, em 3 de Junho de 2018, o que quer dizer que assistiu ao assalto ao poder de António Costa e dos seus “compagnons de route” que, de alguma forma, destruiu o trabalho que Mário Soares e Carlucci fizeram secreta, eficazmente e em grande cumplicidade naquela altura: barrar o comunismo. Seria interessante saber o que pensaria o homem da aliança que António Costa fez com os seus inimigos de ontem, o PCP e os outros comunistas da extrema-esquerda. Não creio que alguém lho tenha perguntado…
Mas também não me parece difícil pensar que Carlucci olhasse para António Costa como um verdadeiro “cavalo de Tróia”, o homem que abriu as portas do poder aos comunistas e que os introduziu na cidadela – como se partidos defensores do marxismo-leninismo, de toda a tralha da luta de classes e da ditadura do proletariado, para só citar dois princípios básicos capitais que os enformam, pudessem ser compatíveis com qualquer sociedade democrática, civilizada e decente – para a fazer implodir em vez de respeitar e cumprir as regras da democracia dita ‘burguesa’.
A situação política portuguesa demonstra-nos permanentemente essa impossibilidade, acabámos de o constatar com a votação das leis do trabalho e só se andarmos distraídos é que não nos apercebemos do trabalho de sapa que a CGTP leva a cabo todos os dias para impedir a sociedade de funcionar normalmente: seja na educação, na saúde, nos transportes ou até na Autoeuropa.
Só António Costa, do alto da sua sageza, experiência e sabedoria, não o percebeu. Já não será Carlucci a explicar-lho nem tinha que o fazer, a realidade e a impossibilidade de qualquer aliança com esta ideologia, encagerrar-se-ão de o fazer…

 

 

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