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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – DCCCLXVIII
«Morro com a certeza inabalável no futuro comunista da humanidade. Essa certeza me dá uma força que religião nenhuma poderia dar». Leon Trotsky.
“Cuba: sai comunismo da Constituição entra propriedade privada”. Parangona do Jornal “JN”, 23/07/2018.
“Cuba deixa cair comunismo e legaliza casamento gay”. Parangona do Jornal “Público”, 23/07/2018.
“Entre as novidades mais relevantes no projeto de reforma da Constituição cubana, estão a eliminação de referências ao comunismo, o reconhecimento da propriedade privada, a instituição de um primeiro ministro e a modificação da definição do casamento, que abre as portas aos relacionamentos homossexuais». Jornal “Expresso”, 23/07/2018.

 O caso é sério e credível quando três jornais diários de grande tiragem e repercussão na opinião pública, trazem notícias do teor das que cito em supra. 

O que mais me choca é a eliminação da palavra comunismo da Constituição Cubana. Pensava que o comunismo eram o alfa e o ómega desta sociedade, mas não, enganei-me!  

Qual é o significado deste acto? O comunismo é abandonado? O comunismo pode ser descartado? Deixa de ser referência? O que vai acontecer uma vez que entra em liça a propriedade privada? As empresas são propriedade privada logo, terão patrões e assalariados? Os patrões vão poder ficar com o lucro que as empresas geram? E isso não vai acabar por ser uma forma de exploração do homem pelo homem? E se é assim, o que acontece a uma das máximas fundamentais do comunismo: trabalho contra capital?! E o que vai acontecer a outra máxima insuperável no comunismo: a luta de classes? E a ditadura do proletariado também acaba? E o fim da sociedade e da democracia burguesas não estarão em causa? 

O que me deixa absolutamente estupefacto é que o comunismo e os seus princípios sacrossantos, atraíram de há muito tempo a esta parte – talvez desde a proclamação do Manifesto Comunista por Marx e Engels em 1848 – milhões de pessoas por esse mundo fora, houve milhões de crentes que abnegadamente sacrificaram as suas vidas por esta utopia; concomitantemente, o comunismo chacinou milhões de pessoas e deixou um rasto de vítimas e de desgraça onde quer que tenha sido poder. E agora, de repente, até sai da Constituição num dos baluartes do comunismo e num dos seus mais fortes redutos e exemplos: Cuba… 

E o mais chocante é que não há um mea culpa, nada, rigorosamente nada, se sai da Constituição é porque não merece lá estar, já não é importante, é descartável e dispensável! 

E o que diz o nosso ‘glorioso’ PCP? Aposto que vai dizer que são fake news de uma imprensa nas mãos e ao serviço do grande capital… 

Fico à espera, mas acho que vou esperar não sentado, debalde…

 

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