«Mas se, por absurdo, o juiz vier a achar que aquele dinheiro
[alegadamente de Sócrates] era mesmo de Santos Silva, então este está metido
num grande sarilho, pois não tem modo de explicar aquelas quantias que recebia.
Como justificará os depósitos feitos em seu nome por Helder Bataglia ou pelo
saco azul do Banco Espírito Santo? E onde estão as faturas dessas quantias que
recebeu? Teria graça vermos Carlos Santos Silva atrás das grades e José
Sócrates cá fora, a rir-se». José António Saraiva, Jornal “Sol”, 29/04/2018.
«Nunca a fortuna põe um homem em tal altura que não precise de
um amigo». Séneca.
Confesso que sempre pensei
que Sócrates se rodearia dos melhores advogados do país e que a sua defesa
seria muitíssimo mais sólida – à prova de bala, os melhores e mais caros
advogados são muito criativos… – do que aquilo que aparenta ser.
Quem tenha visto os
interrogatórios no DCIAP constata uma enormidade de incoerências, de
fragilidades, de mentiras, de inconsistências, (e de indecências, já agora…) verdadeiramente
assustador na perspectiva de isentar Sócrates das acusações que lhe são
imputadas. Algumas então são de bradar aos céus de tão ingénuas, de tão
inverosímeis. Dou só um exemplo: lembro-me de Sócrates há muitos anos ter dito
numa entrevista que a Mãe tinha herdado tanto dinheiro – o volfrâmio estava na
origem desse dinheiro – que nem sabia bem o que lhe havia de fazer… retive essa
afirmação porque na altura achei que ela justificava já algumas coisas que
pareciam inexplicáveis como, por exemplo, ter constado que o homem tinha
comprado um Mercedes topo de gama que tinha custado cerca de 100.000€, e que se
deslocava nele conduzido pelo seu motorista particular…
Ora, quem tem uma Mãe que
não sabe bem o que há-de fazer ao dinheiro, não pede 120.000 Euros à CGD para
ir estudar para Paris e não recorre sistemáticamente aos favores do grandíssimo
amigo que lhe chegou a ‘emprestar’ mais de um milhão e duzentos mil euros – do
dinheiro que conseguiram seguir o rasto porque deve haver mais... – dos quais só
num ano ele espatifou mais de meio milhão… é preciso ser um amigo
extraordinário, único, como ninguém tem…
Pois é, os juízes são
profissionais que lidam com a mentira todos os dias – estão habituados a ver e
a ouvir um desfilar de mentiras por parte dos arguidos para ver se se salvam de
uma hipotética condenação – e com a sacanice e a desonra também…
Acresce que nenhum amigo decente
deixaria o outro apodrecer na cadeia, atrás das grades, em seu lugar – como cinicamente
António José Saraiva sugere – ou deixaria? Se deixasse, não passaria de mais
uma infâme canalhice, sobretudo se o dinheiro não for do amigo mas de Sócrates,
como tudo leva a crer ser o caso…
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