«O atual Governo em Portugal foi formado porque já não era
possível à Alemanha esmagar a esquerda portuguesa, como sucedeu com a Grécia no
verão de 2015», Yanis Varoufakis, activista e ex-ministro grego das
Finanças, jornal «DN», 26/04/2018.
«Presunção e água benta, cada qual toma a que quer». Aforismo
popular.
Parece-me que Varoufakis
não conhece o xadrez político de 2015 em Portugal. Ele ignora que o actual
Governo se deve, no essencial, a três coisas capitais:
·
Um líder, António Costa, sem escrúpulos de
formar Governo apesar de ter perdido as eleições e de não ter avisado o
eleitorado de que se aliaria à extrema-esquerda se as perdesse, como perdeu e
como aliou. Nunca vi maior desrespeito pelo eleitorado e pela democracia que é,
por definição, transparente e respeita os vencedores.
·
Um Bloco de Esquerda disposto a abandonar a
postura de partido de protesto e pronto e ávido por chegar à área do poder,
como o comprova todos os dias..
·
Um PCP em queda e em declínio irreversível –
como aconteceu em todo o lado na Europa – sobretudo nos sindicatos e nestes,
sobretudo nos dos transportes, e que anteviu a possibilidade única de barrar um
Governo legitimado nas urnas e impedir o centro e a direita de devolver aos
portugueses tudo o que o descalabro da ignóbil bancarrota de Sócrates e dos
seus Governos lhes tinha tirado.
Varoufakis também não deve saber ou
esqueceu-se que Merkel andou com Sócrates ao colo e fez tudo o que lhe foi
possível para que ele não caísse… ora, o Governo de Sócrates dificilmente pode
ser considerado um governo de direita, era de esquerda e Merkel nunca o quis
esmagar, portanto, a afirmação de Varoufakis peca por grandiloquência, falta de
rigor e omissão da verdade. Nada que me admire vinda de um homem que conseguiu
no pouco tempo que esteve no poder levar os velhinhos a chorar junto às caixas de
multibanco por só poderem levantar uns míseros 50 Euros por dia. A falência
ganha várias formas nos dias de hoje, chega-nos por meios electrónicos, mas não
deixa na mesma de ser abjecta e revoltante...
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