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INTERROGATÓRIOS, PERPLEXIDADES, A CONTA 006, SÓCRATES E ALGUMAS REFLEXÕES…
Assisti aos interrogatórios que a SIC divulgou. Trata-se de factos, repito, factos que são agora do total conhecimento público – Sócrates até ser julgado, condenado e a sentença transitar em julgado, presume-se inocente – e em relação aos quais me limito a manifestar algumas perplexidades e a tecer algumas reflexões…
·       É completamente ilegítima e desprestigiante para a justiça a divulgação destes interrogatórios, é idêntica e concomitante à quebra do segredo de justiça – uma anedota neste país – e não sei como a SIC os obteve nem se vai ser sancionada por isso, devia sê-lo…

·        Assistimos à exposição de um polvo gigantesco que envolveu empresas de primeira linha, como o GES/BES e a PT, e personagens poderosas e importantíssimas como Sócrates, Salgado, Bava, Granadeiro, Bataglia e a uma camuflagem de empresas financeiras em “off-shores” que disfarçassem os movimentos cruzados de dinheiro que, segundo o Ministério Público, tinham como única finalidade dificultar, ocultar a origem e os pagamentos a todos os corruptos envolvidos neste esquema gigantesco de fraude. O resultado está à vista de todos: falência do BES/GES, quase falência seguida de alienação da PT, e bancarrota do País.

·        José Sócrates é um tipo malcriadíssimo, roça a insolência, arrogante e com uma falta de chá notória, afinal de contas, ele estava a responder a magistrados ao serviço da Nação e que se limitaram a cumprir o seu dever quando o interrogaram. Pena que eles não o tivessem metido na ordem como merecia!

·        Como é que há uma conta, a 006, na qual foram descontados mais de 150 cheques no valor de mais de um milhão e duzentos mil euros, exclusivamente a favor de José Sócrates? Alguém cria uma conta para emprestar dinheiro a um amigo e depois não sabe quanto emprestou, calcula meio milhão e, afinal, detectado para já, foi mais do dobro?

·        Por que motivo Sócrates e o amigo falam sempre em código (quem não deve não teme…) em relação aos “empréstimos” em numerário? Quando se empresta dinheiro a alguém, pergunta-se automáticamente pelo NIB da pessoa e faz-se uma transferência, ou então, passa-se um cheque, muito simplesmente.

·        Num único ano Sócrates gastou uma média mensal de 45.000€, se isto não é uma verba absolutamente pornográfica para quem não tem trabalho nem dinheiro e para quem admite que é o amigo que lhe empresta dinheiro por ele não o ter e “o amigo ter posses”, digam-me, por favor, o que é?

·        Curiosa a sua tentativa da compra de uma quinta no Algarve “a meias com o amigo”, apesar de Sócrates ter a conta negativa em mais de 2.000€ e se propor comprá-la por 900 mil Euros. Instado a explicar, afirmou que hipotecava a casa dele e a quinta e que era assim que as pessoas se ‘comportavam’ – o termo e o verbo são dele… percebe-se melhor a forma como se ‘comportou’ e que teve como consequência atirar o país para uma ignóbil bancarrota…

·        Finalmente, interrogado se alguma vez tinha visitado Ricardo Salgado em sua casa, na Quinta da Marinha, negou veementemente e adiantou mesmo que sempre foi tratado com distância e respeito por Sr. Primeiro-Ministro, por Salgado, para pouco depois, ouvir-se numa escuta Salgado a convidá-lo para jantar na sua casa e a tratá-lo amigavelmente por Zé…  a isto Sócrates responde que tem muito gosto em aceitar o convite e que a sua «esposa» (Salgado deve ter adorada esta expressão…) foi sempre muita simpática com ele…

·       Alguém imagina um colectivo de juízes a aceitar – ‘engolir’ é o termo correcto – todas as fragilidades, incoerências, inconsequências, inconsistências, erros grosseiros e oportuníssimas falhas de memória patentes nas respostas dos arguidos? Com muita dificuldade, vaticino eu…

Haverá muitíssima gente desiludida com estes interrogatórios e com o luxo em que Sócrates vivia – gente que o apoiou e que creu que há uma ética socialista em que legitima e honradamente acreditaram e que ele atirou às urtigas, ao caixote do lixo...
Moral dos interrogatórios: os socialistas não deviam nunca ter escolhido Sócrates para seu Secretário-Geral, muito menos por duas vezes, e os portugueses nunca por nunca, deviam ter eleito o homem e, muito menos, reincidido no acto…

 

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