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«António Pedro Vasconcelos defendeu hoje que a eventual exploração de petróleo na Costa Vicentina traria um lucro "próximo do zero" para o país». António Pedro Vasconcelos, “Dinheiro Vivo”, 15/04/2018. 

«Se os factos não se encaixam na teoria, modifiquem-se os factos». Einstein.
Mas A.P.V. não explicou porquê? E isso é que seria importante e faria toda a diferença! Como é que consegue esse milagre desse lucro quase inexistente… fala-se em reservas de cerca de 1500 milhões de barris de petróleo que poderão existir a cerca de 50Kms da Costa Vicentina e que seriam suficientes para o consumo nacional durante 17 anos. Este deve ser o tempo necessário para as novas tecnologias – como os automóveis movidos a hidrogénio ou pelas novas baterias recarregáveis de sódio que a nossa compatriota, a cientista Helena Braga está brilhantemente a ajudar a desenvolver nos USA – entrarem em força no mercado e substituírem os combustíveis fósseis satisfatória e irreversívelmente. 

Mesmo admitindo que Portugal teria que recorrer às multinacionais do sector para o explorar, Shell; BP; Total, ENI ou similar, sabem quanto vale hoje, dia 15 de abril de 2018, um barril de petróleo no stock market de Nova Iorque? Pois eu digo: 72,62 dólares. 


Quer isto dizer que em valores brutos – se tivéssemos a grande sorte de estes valores se confirmarem – estamos a falar de uma riqueza de 1500 milhões de barris X 72,62 dólares o barril, ou seja, cerca de 110 mil milhões de dólares e de não sei quantos milhares de milhões em impostos e royalties pagos ao Estado, inúmeros postos de trabalho e de uma poupança brutal na balança de pagamentos ao estrangeiro. A tudo isto há que acrescentar a independência energética do país – o que não é despiciendo, é mesmo capital. Possívelmente, seria o fim do défice e da dívida de uma vez por todas… 

Dir-me-ão, e a poluição correlativa? Claro que existe e será igual ou menor – a tecnologia não pára de evoluir, a dos petróleos também – àquela que a Noruega e a Inglaterra experimentam na exploração há décadas de petróleo no Mar do Norte, a Noruega tornou-se mesmo, fruto dessa riqueza, um dos países mais ecológicos e ricos do mundo. 

É por isso que é pena que A.P.V. – uma das figuras políticas mais lerdas da nossa praça… – não explique porque motivo “o lucro seria próximo de zero”. Confesso que fico estupefacto com este deturpar dos factos… 

Eu creio que não dar ouvidos a A.P.V. é que seria ecológico e avisado ou então, mandá-lo pregar, no deserto não, que é longe e perigoso, sugiro nas Berlengas que são bem mais perto da Costa Vicentina e onde o risco da poluição política que provoca, seria bem menor… 

P.S. – a título de exemplo e de comparação, a Comunidade Europeia, desde que aderimos à mesma em 1986, já nos financiou a fundo perdido para recuperarmos do nosso atraso ancestral, em cerca de cento e vinte mil milhões de euros. Verba aproximada ao valor da exploração comercial das jazidas de petróleo em questão. A.P.V. deve estar a brincar e há muito gente na esquerda que é uma nódoa a fazer contas, perguntem ao Sócrates…

 

 

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