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«Se não fossem Costa e Mário Centeno, o País estava destruído». D. Januário Torgal Ferreira, Bispo Emérito das Forças Armadas, Revista «Visão», 10/02/2017.
«Abbati, medico, potronoque intima pande». Provérbio latino. 

Em primeiro lugar, é preciso dizer que sua Eminência desconsidera completamente – e já não é a primeira vez que o faz, para usar um termo suave – a Concordata que separa, sem margem para dúvidas, a religião da política e a que está obrigado como uma das partes, a Igreja que representa nas mais altas instâncias e cargos.
 Para conúbio na área, creio que nos bastou o que existiu durante todo o tempo do Estado Novo…
Depois, nunca pensei que um Bispo – ainda por cima, homem culto que domina o latim, a Teologia e a fé, e por definição e profissão, devoto da verdade, pudesse ser tão absolutamente faccioso, tão completamente sectário, pudesse esquecer o estado do país em 2011 – a bancarrota perfeita deixada pelos pares de Costa e com a anuência – não devo andar longe da verdade – de Centeno e, já agora, dele próprio pois nunca o ouvi protestar na altura…
Ora, para sua Eminência, a fazer fé no que diz, a bancarrota ocorreu a posteriori, já após ter ocorrido, ou seja, durante o período do resgate, dir-se-ia consequência do mesmo e não, pasme-se, na origem da mesma!
Sua Excelência merecia que lhe enviasse um léxico com um exercício linear – ao estilo de oração de catequese para memorizar – singelo, mais simples não pode haver:
Estudar o significado da palavra bancarrota, primeiro, e de consequência e resgate, depois e por esta ordem.
E dava vontade de o mandar repetir cem vezes cada palavra até saber o significado das mesmas, contudo, acho que não vale a pena, seria inútil, qualquer sacristão de paróquia ou de Igreja de província, o sabe sem dificuldade… pelo que redundaria em pura humilhação para sua Eminência…
Finalmente, não sei se sua Eminência quando estudou latim, lhe passou o provérbio citado em supra pelos olhos mas que diz: «Ao padre, médico e advogado, [compete] falar a verdade»… pois parece-me, claramente, que ou não o interiorizou, ou não o memorizou, ou pior de tudo, não o compreendeu…

Comentários

  1. Só discordo da tradução do proverbio latino. Ao confessor, ao médico e ao advogado não escondas a verdade.

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  2. A tradução não é minha mas creio que o provérbio é ambivalente; o padre ouve e deve proferir só a verdade...

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. O padre pode ser obrigado a mentir para preservar o segredo da confissão. O médico pode ser obrigado a mentir para não faltar ao dever de sigilo. Também o advogado pode ser obrigado a mentir para não revelar segredos do cliente e para obter uma sentença favorável do tribunal. Esta última razão carece de suporte moral, mas sabemos que isso acontece muitas vezes. Um abraço.

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    4. Sim, tudo isso é verdade, mas trata-se de situações limite, o padre, o médico e o advogado não mentem todos os dias...

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