“Poderemos todos continuar a fingir que nada disto é importante,
que se pode construir um projeto comum entre PS, Bloco de Esquerda e PCP,
apesar das insuperáveis e reiteradas divergências. Poderemos fazê-lo se
aceitarmos reduzir o discurso político à dimensão de um embuste».
Francisco Assis, o eurodeputado do PS, jornal «Público», 23/02/2018.
«Em tempos de embustes universais, dizer a verdade torna-se um
acto revolucionário». George Orwell.
Claro
que há inúmeras razões para considerarmos a Geringonça um embuste, essas têm
sido permanente e exaustivamente apontadas, como as diferenças entre eles em
relação à Nato, Europa, Euro e, “last but
not least”, à economia de mercado, nunca referida mas que faz toda a
diferença e é mesmo capital. Atenho-me agora sobretudo à dimensão democrática
das suas diferenças; como querem que o PS se possa entender com um partido
genuinamente marxista/leninista, o PCP, e outro partido de inspiração
Trotskista, Maoista e Estalinista, o BE?
O
PCP tem uma noção e dimensão do poder golpista, como o comprovou à saciedade em
1974/75, e um objectivo de construção de um Estado comunista e totalitário – não
só ele não o esconde como basta ver a maneira como pensa, actua, torpedeia a
democracia todos os dias em todos os fóruns onde esteja presente, e a forma
como legitima e apoia os Governos de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte para não
termos qualquer ilusão sobre o que pensa o PCP da democracia. O que estão à
espera se ele amanhã for poder, que defenda a democracia do tipo inglesa? Claro
que suprime todas as liberdades, ilegaliza os outros partidos, toma conta do
aparelho do Estado incluindo as magistraturas, cria uma nova KGB e enfia todos
os opositores em novos Gulag, e controla com mão de ferro os media. Dir-me-ão
que estou a exagerar! Respondo: leiam a história, informem-se do que foi a
tomada e exercício de poder do comunismo em toda a parte, nomeadamente, no caso
exemplar da U.R.S.S..
E
o BE, com mais ou menos temas fracturantes, no essencial, quer o mesmo que o
PCP com a variante de aceitarem bem os homossexuais – banidos e perseguidos na U.R.S.S.,
fossem judeus ou não, por exemplo, e gostarem de caviar e de mais algumas
coisas boas da sociedade burguesa… como Dom
Perignon e Chateauneuf du Pape… mas
quanto ao resto, são rigorosamente iguais, ou não fossem filhos dos mesmo pais
e irmãos de armas, perdão, de ideologias e de ódio à democracia – típico em
qualquer regime ou partido comunista. Um bom exemplo é ver a maneira como votam
na Assembleia da República, invariavelmente, em sintonia.
P.S.
– por George Orwell ter visto os seus métodos quando era companheiro de armas
na Guerra Civil espanhola, é que escreveu esse livro fabuloso, essa denúncia
extraordinária do Estado Totalitário perverso e levado a consequências paranoicas
inimagináveis: «1984» e os Big Brother que o povoam e estão watching you…
Há
décadas atrás que li esse livro mas hoje, se tivesse que definir e depois indicar
um Estado que encarna e corporiza «1984», não hesitava: a Coreia do Norte…
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