«O
PSD já sabe que o PS de António Costa, Ferro Rodrigues, Carlos Cesar, Pedro
Nuno Santos, Pedro Delgado Alves ou João Galamba não viabiliza governos do PSD,
mesmo quando ganhamos as eleições. Eles preferem o PCP e o BE, e por essa
razão, admitir que o PSD pode ser a muleta deste PS é politicamente
suicidário». Luís Montenegro, Jornal «Expresso», 12/01/2017.
A inocência genuína rende-se; não sabe defender-se. Camilo
Castelo Branco.
Não sou do PSD, nunca fui, aliás, não
sou de nenhum partido, também nunca fui.
Nos últimos anos defendi sempre o PSD
e o Governo PSD/CDS por razões simples e de elementar justiça; primeiro, por
terem sido acusados de todos os males deste país omitindo cuidadosamente que
tinham herdado o país em escombros, na bancarrota, das mãos de Sócrates, e
depois, por não sendo nem comunista nem socialista, evidentemente que o meu
campo político é à direita destas áreas ideológicas, logo, não ia defender
nenhum tipo de socialismo, ‘light’ como o do PS, ou ‘heavy’ como o do PCP, ou
ainda, ‘drag queen’ como o do BE.
Vivemos em democracia, não é verdade?
Logo, esta afirmação é comezinha, linear e insuspeita de contestação,
parece-me, pelo menos para os verdadeiros democratas…
Sempre tive simpatia pessoal por Rui
Rio – por ter ganho nas urnas contra todas as previsões – e desalojado um político arrogantíssimo e com
quem nunca me identifiquei, Fernando Gomes e, por genéricamente, ter feito duas
boas presidências na cidade do Porto. Votei, assim, por duas vezes nele. Dito
isto e apesar disto, por uma questão de honestidade intelectual, afirmo que me era
mais ou menos indiferente que nesta campanha ganhasse Rio ou Santana, embora
achasse que as «trapalhadas» que Santana cometeu quando era Primeiro-Ministro,
foram relativamente inócuas e empoladíssimas pelos seus inimigos – Jorge
Sampaio à cabeça – como é normal e estamos habituados, mas poderiam e deveriam
ter sido evitadas…
Não obstante tudo isto, Rui Rio
cometeu agora um erro de palmatória, clamoroso, que Luís Montenegro
irrepreensivelmente denuncia e com o qual não podia estar mais de acordo:
afirmar que viabiliza um Governo do PS minoritário é não só um erro básico como
estrategicamente é de uma inabilidade confrangedora; significa que o PS estará
doravante, se Rui Rio ganhar, no melhor dos mundos, terá sol na eira e chuva no
nabal!
António Costa, um político dos mais
medíocres que conheci mas com toda a sorte do mundo – nasceu com o rabo virado
para a lua – poderá governar com os jacobinos do PCP, ou a extrema-esquerda
radical do BE; caso estes não estejam pelos ajustes ou o seu preço seja
demasiado elevado, então, pode facilmente governar com aqueles que sempre
criticou asperamente, esconjurou e ostracizou, o PSD! E nessas circunstâncias,
Rio não poderá esquivar-se a apoiar o Governo minoritário do PS sob pena de não
ter nem palavra, nem ser políticamente credível…
Rio dá de mão beijada ao adversário, ao
PS, e desperdiça, deita ao lixo o argumento mais forte que poderia usar contra
o PS e que poderia ser algo como isto:
“Votem no PSD, a única força política que vos
garante vermo-nos livres de vez da Geringonça”!
Nunca vi declaração mais infeliz, mais
incapaz, mais inocente, mais extemporânea! Se Rio é ingénuo a este ponto como
candidato a líder do partido, tremo só de imaginar que ele vai ganhar as
eleições e defrontar António Costa em 2019, o político mais traiçoeiro do
espectro político português…
Deus me valha, apesar do meu agnosticismo…
P.S. – que me desculpem os meus amigos
apoiantes de Rui Rio, creio que será difícil não estarem de acordo comigo neste
ponto!
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