“Car, questionne Raymond Aron, comment accepter l’attitude des
intellectuels devenus impitoyables face aux défaillances des démocracies dites
«bourgeoises», et pourtant si complaisants pour les crimes perpétrés par les
démocracies «populaires» […].”.
Excerto do texto de apresentação
que figura na contra-capa da obra de Raymond Aron: «L’opium des intellectuels».
«Pois, questiona Raymond Aron, como aceitar a atitude dos intelectuais
convertidos em críticos impiedosos dos erros das democracias ditas «burguesas»
e, não obstante, tão condescendentes em relação aos crimes perpetrados pelas
democracias «populares» […]». Tradução de RGM.
Esta é ainda hoje uma questão pertinente
na sociedade Portuguesa. Por que motivo não houve nas últimas décadas uma
denúncia sistemática dos crimes do Estalinismo e do Maoismo, por exemplo,
também entre nós? Só para referir os mais proeminentes carniceiros da história
da humanidade e que deram nome às doutrinas.
Quando a discussão surge,
invariavelmente e como arma e argumento de defesa e arremesso, os comunistas contrapõem
os crimes do nazismo e do fascismo. É verdade que também existiram e foram
hediondos, mas não só não há partidos nazis ou fascistas – proibidos pela
Constituição – como não têm ninguém credível
a defendê-los hoje em dia. Se alguém mata uma pessoa, é um criminoso, se mata um
milhão, é um criminoso na mesma mas passa à categoria daquilo que os anglo-saxões
chamam de mass-killer. Exactamente os
casos de Estaline, Mao e, já agora, Hitler também tem que figurar na galeria.
É por isso que é extraordinário
que um partido como o PCP, que sempre foi abertamente um defensor acérrimo e
cúmplice de Estaline e do Estalinismo, não sofreu nessa altura nem sofre agora
as consequências dessa opção e desse opróbrio. E o mesmo é válido, pelo menos
para as facções Maoista e Estalinista do BE.
A intelectualidade portuguesa, também sempre
condescendeu e foi cúmplice activa destes factos – ou antes, destes crimes – e
como muito bem sinaliza Raymond Aron, foi e em grande parte ainda é igualmente
uma crítica impiedosa da democracia dita burguesa – aquela que temos e que lhes
permite exercer a sua actividade diária de sapa e de sabotagem da mesma… –
factos que não deixam de ser curiosos, induzem a reflexão mas deviam conduzir à
mais veemente indignação…
O comunismo hoje já não é
felizmente o ópio dos intelectuais, os poucos ‘alucinados’ que o defendem abertamente,
mais parecem personagens saídas de um Casal Ventoso qualquer da desdita onde
para saciar a intoxicação injectaram um hard stuff adulterado, ou inalaram
maconha ou ganza ressequidas e fora de validade que lhes fez mal à saúde e às
qualidades cognitivas…
Só há, contudo, duas explicações
para este fenómeno extraordinário: ou ignorância pura e dura, que creio ser
maioritária nos cerca de 19% de portugueses que votam no PCP e no BE –
intelectuais ou não – e subscrevem as suas teses, ou o escandaloso desdém, e a pretensa,
balofa, e inconsistente superioridade moral que arvoram vaidosamente e que lhes
advém ninguém percebe muito bem de onde nem porquê – o que é bem pior e
corresponde a uma ínfima parte dos seus apaniguados, os ‘iluminados’, mas muito
mais perniciosa e perigosa por não ser ignara como a grande maioria que
desconhece o verdadeiro carácter e o que foi, é e será sempre o comunismo…
Como diz e muito bem
Martin Luther King: Quem aceita o mal sem protestar, coopera realmente com
ele.
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