«VW já tem alternativa à Autoeuropa de Palmela. Meta de 280 mil
veículos até ao final de 2018 pode estar comprometida sem acordo. Várias
fábricas do grupo já estão disponíveis para receber parte da produção do novo VW».
Jornal «i», 11/12/2017.
As pessoas têm
dificuldade em perceber o que se passa na Autoeuropa porque o motivo invocado
para as greves – o trabalho ao Sábado, ainda por cima, pago a 200%, (100%, como
em qualquer outro dia, mais 100%, justamente por ser ao Sábado) – não faz sentido, uma vez que há dezenas de
profissões em que as pessoas trabalham permanentemente aos Sábados e inúmeras
que até aos Domingos o fazem, por uma muito menor retribuição.
Portanto, essa razão é
invocada mas não passa de uma cortina de fumo, de areia lançada aos nossos
olhos. A verdadeira razão é ideológica, tem a ver com a concepção e como devem
ser as relações de trabalho segundo o PCP e o seu braço armado, a CGTP. A
Autoeuropa contraria tudo aquilo que o PCP quer no mercado laboral e
industrial: nomeadamente, é fundamental, é dos cânones, pôr o trabalho contra o
capital; é essencial que haja luta de classes e não harmonia, entendimento e
diálogo, e também não se pode prescindir dos sindicatos da CGTP a negociar e não
uma comissão de trabalhadores, sobretudo se esta lhe for desafecta, (como no tempo
de António Chora, que era afecto ao BE); em suma, a Autoeuropa, sobretudo pela
sua enorme importância para o país, não pode prosperar e negar dura, permanente
e sistemáticamente, os dogmas do comunismo e da forma como, quer o PCP, quer a
CGTP, querem controlar os trabalhadores. E sendo assim, o melhor mesmo para
estas forças, é fechá-la porque os pobres dos trabalhadores não passam de carne
para canhão nas mãos de uma ideologia fossilizada, anti-nacional, absurda e
completamente anacrónica!
A ideologia não pode
estar errada, nunca está errada, é infalível, é científica, quem está errado é
a Autoeuropa e o capital que lhe dá corpo e alma, logo, feche-se a fábrica que
assim se preserva a pureza da ideologia que há-de trazer sol para todos nós,
mesmo que tenhamos que nos deslocar, não no “carro do povo” e fabricado para o
povo, mas de burra…
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