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«PS exclui Sócrates do 10 aniversário do Tratado de Lisboa. A Assembleia da República celebra hoje o décimo aniversário da assinatura do Tratado de Lisboa com os seus protagonistas e o Partido Socialista não propôs endereçar um convite ao seu líder de então, José Sócrates». Jornal «i», 13/12/2017.
«Há certas pessoas a quem o fracasso sobe à cabeça». Wilson Mizner.
A reação do PS e dos seus dirigentes em relação a Sócrates e ao que ele representou na vida do partido e na vida nacional, é, no mínimo estranha. Primeiro, ficaram calados que nem ratos quando Sócrates foi preso, depois, balbuciaram trivialidades na circunstância: “à justiça o que é da justiça, à política o que é da política”, como se a política no tempo de Sócrates não tivesse – de alguma forma – condicionado a justiça. E nem é preciso citar casos, basta referir nomes: Cândida Almeida, Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Imagine-se, por exemplo, a responsabilidade que Noronha do Nascimento contrairia se tivesse divulgado as escutas de Sócrates em que o Procurador de Aveiro o acusava de “atentado ao Estado de Direito” na tentativa de comprar a TVI com o fim de a silenciar e ao seu «Jornal das 9». Cavaco Silva teria sido obrigado a demiti-lo de imediato e convenhamos, nunca nenhum Presidente do Supremo Tribunal de Justiça tinha até aí, sido confrontado e condicionado com situação mais delicada… Também nunca em democracia nenhum Primeiro-Ministro se tinha atrevido a algo que se parecesse minimamente com tal…
Seja como for, Sócrates hoje não só não condiciona nada, felizmente, nem ninguém – naturalmente, depois de ter irresponsávelmente atirado o país para a sarjeta e depois de ser acusado pelo Ministério Público de 31 crimes e de acumular 24 milhões de euros na Suíça – como é mais uma vez, completa, estóica e ostensivamente ignorado pelo seu próprio partido.
E isto, na sua perspectiva, imagino eu, é tanto mais grave quanto ele sabe que o actual Governo de Costa está cheio dos seus antigos e fiéis colaboradores que alinham neste silenciamento e neste ostracismo a que é votado, fazendo de conta que não tiveram nada a ver com a bancarrota em que, segundo eles, depreende-se, Sócrates foi o único responsável….
Sócrates com as suas conferências ridículas e o seu lançamento de obras – o MP diz que escritas por um avençado para tal, de seu nome Farinho – parece indiferente ao amontoar de fracassos em que se transformou a sua vida e a sua outrora boa estrela…
Que grande injustiça, pensará ele, que grande tombo das alturas, digo eu sem subterfúgios…

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