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MÁRIO CENTENO, O NOVO GUARDIÃO DA ORTODOXIA E DO TEMPLO OU UM ERRO DE PERCEPÇÃO EUROPEIA?
Na crise da CGD e da história muito mal contada de que tinha havido um erro de percepção mútua sobre os SMS trocados entre Centeno e o indigitado Administrador da mesma, António Domingues, sobre a aceitação por Centeno da não declaração de rendimentos ao Tribunal Constitucional por parte de Domingues, Marcelo declarou que:
«Aceitou a posição do primeiro-ministro de manter a confiança no ministro das Finanças, Mário Centeno, atendendo ao estrito interesse nacional, em termos de estabilidade financeira».
Ou seja, Centeno esteve muito perto de ter o destino de Constança Urbano de Sousa, episódio muito pouco edificante.
Sobre a mesma personagem, ainda no dia 15 de Março passado, deste ano, portanto, o Ministro das Finanças alemão, avisava Portugal (leia-se, Centeno) de que “devia evitar novo resgate” e dizia mais:
"a pressão imposta nos planos de resgate funcionou bem, o que foi positivo tanto ao nível do crescimento económico como da correção dos desequilíbrios orçamentais”.
Quer isto dizer que grande parte, talvez o essencial, do trabalho de que Centeno colhe os frutos agora, não foi dele, foi do governo anterior. É que se é verdade que Centeno não fez parte do Governo que levou alegremente o País à bancarrota, não lhe faltam agora colegas que lá estavam na altura. Até Costa foi um indefectível defensor de Sócrates até ao último minuto!
Centeno é um economista liberal cujas posições sobre o trabalho estão nos antípodas das defendidas pela esquerda portuguesa: PS (ou parte dele); BE e PCP e que parte da sua acção directa nas Finanças; cativações à cabeça, mão férrea sobre a despesa, baixa do défice, e indirecta, greves contidas na Administração pública nos primeiros dois anos da Geringonça, só foi possível por estar respaldado pela extrema-esquerda, nenhum Governo de direita o teria conseguido fazer nos mesmos termos…
Finalmente, Centeno beneficia dos equilíbrios entre o Partido Popular Europeu e os Socialistas na Europa na divisão de cargos, a sua eleição tem como consequência – e para já, enquanto não houver mudanças – ser o novo guardião da ortodoxia financeira de Berlim, cumprimento do Pacto ou Tratado Orçamental que prevê nomeadamente:
·        Limite inferior a 3% de défice orçamental do PIB. (que ele cumpre diligentemente).

·        Défice estrutural inferior a 1% do PIB ou a 0,5% se a dívida for grande.(que ainda não cumpre).

·        Dívida pública inferior a 60% do PIB. (que parece ter começado a cumprir).
E claro, com tudo isto, nem vale a pena pensar em não pagar a divida! “Forget it”! Se isto não é o diabo para a extrema-esquerda e para parte do PS, imita muito bem! Ou como diz Maria de Fátima Bonifácio no ‘Observador’ de hoje: «Centeno não tem escrúpulos ideológicos» e «é um notável especialista em maquilhagem»’! Pois é! ”Bon courage”, Mário Centeno, no que me diz respeito e pela primeira vez, já posso dormir descansado de que não vem ai novo resgate e vou também deixar de o brandir – para já e enquanto se justificar… – como ameaça… Antes isso…

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