«Foi a pátria dos sovietes, o primeiro país do mundo a pôr em
prática ou a desenvolver como nenhum outro direitos sociais fundamentais, como
o direito ao trabalho, a jornada máxima de oito horas de trabalho, as férias
pagas, a igualdade de direitos de homens e mulheres na família, na vida e no
trabalho, os direitos e proteção da maternidade, o direito à habitação».
Jerónimo de Sousa, Jornal «Expresso», 11/11/2017.
«Não pode haver maior cegueira, nem mais cega, que ser um homem
cego, e cuidar que o não é». Padre António Vieira.
GULAG – acrónimo russo que significa:
«Direcção Geral dos Campos» de trabalhos forçados.
Quando Jerónimo de
Sousa faz a apologia das “conquistas do povo russo”, não creio que se refira aos mais
de 30 milhões de cidadãos russos que foram desterrados e condenados aos Gulag
espalhados por toda a Sibéria e onde as coisas eram ligeiramente diferentes, nestes
era comum:
·
O direito ao trabalho estava
garantidíssimo, a jornada variava, no mínimo, entre 12 e 14 horas por dia de
trabalhos forçados em condições desumanas.
·
Férias para todos, gozadas
sempre e incontornáveis, mas no ‘post mortem’.
·
A igualdade de direitos de
homens e mulheres era garantida: na fome, no frio, no trabalho forçado, nos maus tratos e na
morte.
·
Muito humana e caridosamente, as
mulheres que dessem à luz nos Gulag nunca mais viam os filhos que eram levados
para orfanatos.
·
Direito à habitação para todos nos
barracões gelados onde morriam de frio.
·
E na saúde, Jerónimo não falou,
mas também não valia a pena, se adoecessem, garantidamente morriam. O que fazia
parte do objectivo final – extermínio destes cidadãos irreverentes e
contra-revolucionários – estivessem ou não, de facto, contra a revolução…
Ressalvando este pequeno
pormenor dos milhões que padeceram às mãos da brutal ditadura Estalinista,
estamos de acordo, grandes direitos e conquistas foram conseguidos pelo povo
russo, sobretudo no papel, na propaganda e com este custo “irrelevante”! Jerónimo
de Sousa precisa de tomar «Memofante», excelente para a memória…
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