«Esgotado o discurso de “a culpa é do Passos
Coelho”, e esgotado o programa de Governo das reversões, a geringonça começou a
ser confrontada com as suas próprias contradições, debilidades e
insuficiências. Pedro Passos Coelho era o principal elemento aglutinador desta
solução governativa e, desde que anunciou a saída, a geringonça treme por todos
os lados». Pedro Sousa Carvalho, Jornal
«Economia on-line», 28/11/2017.
«Muitas vezes a mentira hoje no mundo é mais poderosa do que a verdade». Padre António Vieira.
O Governo de Passos Coelho cometeu
imensos erros, é verdade, mas conhecem o velho aforismo popular: «casa em que não há pão, todos ralham e
ninguém tem razão»… e foi exactamente isso que se passou em 2011 e nos 2/3
anos seguintes fruto da falência do país, é que não deixaram pão nenhum na
despensa, deixaram um país em escombros atulhado de dívidas…
Contudo, há um erro capital, de
palmatória e imperdoável que ele e o seu Governo cometeram e que foi absolutamente letal: não responsabilizaram
minimamente o PS por ter atirado o país para a bancarrota! Essa era uma
denúncia que deveria ter sido feita todos os dias, senão nos primeiros anos,
pelo menos nos primeiros meses, uma verdade cem vezes repetida é muito difícil
de ser batida pela mentira, torna-se invencível se exercitada. Agora a mentira
cem vezes repetida torna-se verdade quando não contraditada pela verdade, o que
foi o caso…
Vou dar um bom exemplo, Passos Coelho
e o seu Governo são sistemáticamente acusados de terem entregue tudo ao grande
capital ao privatizarem grande parte da economia e as suas principais empresas.
Essa é uma falácia colossal, uma mentira monstruosa e nada melhor do que
prová-lo, coisa que se faz fácilmente, ora vejam:
«3.31 - O Governo acelerará o programa de privatizações.
O plano existente para o período que decorre até 2013 abrange transportes
(Aeroportos de Portugal, TAP, e a CP carga), energia (GALP, EDP, e REN),
comunicações (Correios de Portugal), e seguros (Caixa Seguros), bem como uma
série de empresas de menor dimensão. O plano tem como objectivo uma antecipação
de receitas de cerca de 5,5 mil milhões de euros até ao final do programa,
apenas com alienação parcial prevista para todas as empresas de maior dimensão.
O Governo compromete-se a ir ainda mais longe, prosseguindo uma alienação
acelerada da totalidade das acções na EDP e na REN, e tem a expectativa que as
condições do mercado venham a permitir a venda destas duas empresas, bem como
da TAP, até ao final de 2011. O Governo identificará, na altura da segunda
avaliação trimestral, duas grandes empresas adicionais para serem privatizadas
até ao final de 2012. Será elaborado um plano actualizado de privatizações até
Março de 2012.».
Esta cláusula faz parte do (MOU-Memorandum of understanding) Memorando
de Entendimento assinado com a Troika pelo Governo do Partido Socialista,
em nome e representando a República Portuguesa, no dia 17 de Maio de 2011.
Pois é, foram uns meninos de coro
e pagaram bem caro – pagamos todos e ainda vamos pagar muito mais – por isso
nas eleições de 2015, contudo, como diz e bem o articulista, a desculpa Passos
Coelho acabou…
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