«Eles [os comunistas, o PCP] só cuidam dos funcionários públicos,
sindicatos, autarcas e clientelas que alimentam e de que se alimentam. O país
nunca lhes interessou mais do que a manutenção da ideologia cujo sucesso assenta
na pobreza. Se, por um milagre, Portugal passasse a ser bem administrado e
menos desigual e injusto, os comunistas desapareciam. E do bloquismo restaria o
perfume do caviar». Clara Ferreira Alves, Revista «E – A Revista do
Expresso», 28/10/2017.
«É preciso que os pobres sejam tão pobres que não lhes reste
senão revoltarem-se». Paul Morand.
‘Cujo sucesso assenta na pobreza’,
exactamente, o comunismo assenta na pobreza, foi assim que chegou ao poder na
antiga Rússia, um país miserável e com relações sociais e laborais de tipo
medieval, e é devido à pobreza – e já agora, ao analfabetismo e iliteracia
política – que ainda mantém a fidelidade e o voto de 8,25% dos portugueses,
como nas últimas legislativas de 2015 – sendo que já tiveram quase o dobro da votação
nos idos de 1975, quando o país era bem mais pobre, mais desigual e muito mais analfabeto.
E a prova desta asserção, concludente
e irrefutável, que não deixa margem para dúvidas de como a articulista tem toda
a razão – aliás, Clara Ferreira Alves nem sequer pode ser conotada com a
direita, é uma mulher e intelectual de esquerda, o que, neste caso, só valoriza
o seu ponto de vista – é a percentagem e representação dos comunistas nos
Parlamentos nacionais por essa Europa fora, invariávelmente muito mais rica do
que nós. Com efeito, à medida que o Estado Social ganhou raízes e o nível de
vida foi subindo por toda a Europa após a 2ª guerra mundial, o comunismo entrou
em refluxo e declínio, foi decaindo até chegar à expressão e representação
mínimas, ínfimas, completamente irrelevantes. Os comunistas há muito que não
contam na Europa desenvolvida nem influenciam a sua política, muito menos o
futuro dos povos que, obstinada e jactantemente, juram a pés juntos defender e
representar.
É também isso que explica uma
política de ‘terra queimada’, de ‘quanto pior, melhor’, em que são mestres,
dando ou pretendendo dar a aparência exactamente do contrário, como sempre
fizeram em Portugal desde 1974, quando o poder e o golpe que engendraram para o
tomar, falhou por uma unha negra. Batem-se sempre denodadamente, sobretudo nos
sindicatos mas também no Parlamento, por tudo o que uma economia sã, o bom
senso e uma política realista e patriótica, impossibilita, sabendo hipocritamente
que fariam exactamente o contrário se fossem poder e Governo.
Se algum dia formos desenvolvidos
como a Europa, poderemos encomendar, religiosa e caritativamente, a paz à sua
alma, já faltou muito mais e isto porque Costa deu-lhes a mão e reciprocamente,
recebeu a mão deles para não naufragarem todos de vez, como estava a acontecer
após a débâcle de ‘Sócrates e sus niños’, alguns, extraordináriamente e para
espanto geral, ainda com papel activo no actual Governo…
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