«Tivemos um primeiro ministro
cujas despesas pessoais eram pagas secretamente por um dos empresários [Carlos
Santos Silva] com mais contratos com o Estado. Quando é que os políticos
nos vão dizer o que pensam disto?». Rui Ramos, Jornal
Observador, 13/10/2017.
«Nenhum homem
tem o dever de ser rico ou grande, ou sábio: mas todos têm o dever de serem
honrados». Rudyard
Kipling.
A
acusação a Sócrates trouxe o escândalo sem precedentes do seu caso outra vez
para a ribalta, naturalmente, e se esta pergunta do historiador Rui Ramos é
pertinentíssima, creio que é legítimo também perguntar – e isto não tem nada a
ver com a presunção da inocência de Sócrates, sistemáticamente propalada e coisa
que lhe tem dado imenso jeito, tem sido como um escudo protector, convenhamos…
– o que pensam especificamente os dirigentes do PS uma vez que isto é
essencialmente um assunto do seu próprio partido? O que pensam de ter eleito por
duas vezes um líder que usava malas de dinheiro do amigo para manter um estilo
de vida dúplice, fortemente clandestino e, no mínimo, demasiado luxuoso e
éticamente reprovável? É que ainda não ouvi nada nem ninguém laborar sobre isto
e repito, a desculpa de separar a política da justiça, é completamente espúria e
inadequada neste caso, não se trata disso, trata-se de factos objectivos muito
graves, irrefutáveis e mais do que provados, admitidos até pelos próprios
arguidos Sócrates e Santos Silva aos magistrados na altura em que foram
interrogados!
Assim,
convinha também sabermos se eles esperam que todos estes factos venham a ter doravante
repercussões na visão e no papel que os portugueses reservam e consignam a um
partido que nos deu um líder – eleito e reeleito pelos militantes – com as
qualidades e características de José Sócrates.
Já
nem falo nas consequências e repercussões em termos de ética política
socialista e coerência moral, completamente mandada às urtigas por Sócrates e
sobre a qual é mister que tenham opinião.
Também
não percebo porque motivo a comunicação social não interpela Costa, ou Carlos
César, Ferro Rodrigues ou Manuel Alegre visto que Soares já cá não está… por
exemplo, nos termos que tento delinear no meu texto? Não seria nada simpático para
Costa nem para os outros dirigentes do PS, não é? Até porque como diz Kipling e
muito bem, todos – sobretudo os políticos, os líderes, os que lideram e mostram
o caminho – têm o dever de ser honrados… e, para além disso, era preciso que os
senhores jornalistas os tivessem no sítio, claro…
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