SIC TRANSIT GLORIA MUNDI…
José Sócrates foi em tempos um
homem cheio de poder e reverenciado por quase todo o mundo; político acima de
tudo, económico mas também social. Mas isso foi há imenso tempo…
Ontem assisti num telejornal a um
acontecimento em que Sócrates lançou no Porto o seu último livro – confesso que
nem sei o nome, tal o descrédito que o autor me merece – numa sala onde estavam
400 pessoas, entre elas, Fernando Gomes, ex-Presidente da Câmara do Porto, haveria
mais figuras proeminentes mas ele foi o único que identifiquei e memorizei.
E confesso que me meteu impressão
que ainda hoje este homem consiga reunir cerca de 400 pessoas que estão ali
para o saudar, incentivar, acarinhar e aclamar efusivamente como a reportagem
deu conta. Como é possível? Dir-me-ão que o homem ainda só foi acusado e
constituído arguido, que ainda não foi nem julgado, muito menos condenado! É
verdade e toda a gente tem direito à presunção da inocência mas pelo que já se
sabe, não há presunção de inocência legítima que lhe valha, que o acuda, há,
isso sim, inúmeros factos, repito, factos que são indesmentíveis, que estão lá,
que são inegáveis e que o comprometem inapelável, irremediável e
irrevogávelmente, grande parte deles até já foram reconhecidos pelo próprio no
interrogatório, dou alguns exemplos:
·
Reconheceu perante o magistrado que o interrogou
que o amigo lhe tinha emprestado centenas de milhar de euros, não conseguiu
precisar quanto…
·
Reconheceu perante o mesmo magistrado que tinha
combinado que lhe comprassem 30.000 exemplares do seu primeiro livro; «A
Confiança no Mundo»…
·
Está lá, é um facto e as cartas rogatórias
comprovam-no cabalmente, transferências de 34 milhões de euros para uma conta
na Suíça, depois de um circuito sinuoso para disfarçar o percurso, a origem e o
destinatário, sem nenhuma justificação plausível, verosímil e aceitável, a não
ser de natureza delituosa e com o objectivo evidente de camuflar o beneficiário
final.
· Há provas irrefutáveis, entre elas escutas e
testemunhos vários, de pagamentos permanentes em numerário, malas de dinheiro,
num circuito repetido permanentemente, de verbas avultadas movimentadas
clandestinamente para os mais diversos fins; manter e alimentar a sua vida
luxuosa e uma ‘entourage’ que vivia parasitariamente à sua custa...
·
Há provas de que pediu um empréstimo de cem mil
euros à CGD para ir estudar para Paris e de que quase simultaneamente, comprou
um Mercedes de topo de gama que custou quase esse montante.
·
Há provas materiais de gastos luxuosos em
hotéis, refeições, fatos, resorts de férias, viagens e por aí fora, todas muito
pouco conciliáveis com os seus recursos de ex-Primeiro-Ministro e com uma real
ética socialista, ele foi eleito enquanto socialista e, principalmente, nessa
qualidade.
Esta lista é vasta e aliena
qualquer hipotética alegação de presunção de inocência e parece-me ser legítimo
laborar sobre isto desde já, quanto ao resto, o tribunal que o prove. É
impressionante, não sei se a fé se a estupidez, se ambas, das pessoas que continuam
a acreditar nele após a sua acusação e esta lista interminável e irrefutável de
comportamentos condenáveis e que nada deveriam ter a ver – muito menos
identificação e generoso apoio – com
pessoas honestas que legitimamente se julgam socialistas.
É também impressionante que um
homem que teve poder a rodos, glória e reconhecimento em abundância, esteja
reduzido a isto, a um desconchavo de justificações e a uma panóplia de mentiras
sem fim, a uma sombra do poder e convicção com que governou este país durante
mais de seis anos, dá que pensar…
Há também uma última prova –
derradeira e que não vem nos autos – irrefutável, indesmentível e definitiva e,
ainda por cima, material e à vista de todos nós, o homem lançou o país na bancarrota
em 2011. Esta prova atesta, se necessário fosse – que era capaz de
tudo, por ser a vilania suprema e de dano incalculável – e legitima tudo o que
de nefasto se possa pensar dele, mormente a sua enorme irresponsabilidade na
gestão da res publica…
Tudo neste mundo, do poder à
honra, é passageiro e transitório, a glória também…
Comentários
Enviar um comentário