«Roubado que não dá pela coisa furtada, é quem, afinal, não foi roubado
em nada». Shakespeare.
«[…] a ação de alguns dos agora acusados (José Sócrates, Ricardo
Salgado, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro) levou à derrocada da maior empresa
nacional, a PT, à falência de um dos maiores bancos portugueses, o BES, e
causou avultados prejuízos ao banco do Estado. A CGD». Luís Marques, Jornal
«Expresso», 14/10/2017.
Nenhum destes factos precisa de
ser demonstrado em julgamento, são uma realidade. O que se poderá demonstrar é
a maior ou menor responsabilidade e conluio entre estas personagens no destino a
que cada uma destas empresas foi votado. A PT – a jóia da coroa das empresas
portuguesas de tecnologia – está em vias de desmantelamento. É hoje dos
franceses da Altice, em grande parte por ter sido a «milk cow» de Salgado –
cerca de 8.200 milhões de euros de dividendos em 10 anos – e onde deu o golpe
final, a estocada derradeira ao obrigar ao financiamento em cerca de 900 milhões de Euros o
seu grupo falido, o GES. Não parecem restar dúvidas de que se Sócrates não
tivesse actuado em conluio com Salgado, a OPA da Sonae teria tido sucesso e a empresa
manter-se-ia nas mãos de um grande grupo português. Por outro lado, o BES –
arrastado na falência pelo GES – está em vias de passar para as mãos do grupo americano
«Lone Star» e, finalmente, a CGD, com um número arrepiante de imparidades,
precisou de uma injecção de mais de 5.000 milhões de euros de dinheiro do
Estado, nosso, portanto.
É por isso que me mete imensa
impressão as tentativas de desculpabilização destas personagens, a começar por
Sócrates – mas muito bem secundado por Salgado, ou será ao contrário? – o responsável número um, no fulcro de tudo e
cujas responsabilidades sobre a PT e a CGD lhe são directamente assacáveis.
Quem não se lembra da nomeação dos seus ‘boys’, principalmente Armando Vara
para Administrador da CGD um dia após acabar o curso na Universidade
Independente? E, convenhamos, fez um ‘excelente trabalho’ que tentou depois
continuar no BCP, este não faliu por pouco e só agora, lentamente, após anos a
lamber as feridas, está a recuperar do assalto de que foi vitima… Vara não
passava de um simples caixa num balcão de uma dependência bancária no Portugal
profundo, perto de Bragança, mas, de repente, após um dos famosos ‘cursos superiores
de aviário’ na Independente, apareceu como Administrador na CGD…
Vamos esperar pelo julgamento da «Operação Marquês» e ver qual é o veredicto dos juízes em relação
à gravidade das acções por estes senhores infligidas a estas empresas e,
indirectamente, a todos nós! O que me parece é que não há a menor dúvida de que se
tratou de um verdadeiro fartar
vilanagem!
E – parafraseando Shakespeare – não
só damos pela coisa roubada como, naturalmente, clamamos fortemente contra os
ladrões e o roubo… afinal de contas, quem não se sente não é filho de boa
gente, diz o aforismo…
Comentários
Enviar um comentário