PÔR O LUGAR À DISPOSIÇÃO OU DEMITIR-SE? – ÚNICAS SAÍDAS DIGNAS…
«Os excelentes desempenhos nascem dos
pontos positivos, das aptidões e talentos e não de deficiências corrigidas».
Plutarco.
Assisti ao maior puxão de orelhas
de um político a outro, ainda por cima em directo, na televisão e presenciado
por milhões de portugueses. Foi uma grande humilhação e, por sinal, mais do que
justificada e bem merecida!
Com efeito, o discurso de Marcelo
visou directamente e sobretudo, António Costa, criticou-o aberta e frontalmente,
sugeriu-lhe demissões, evidenciou a sua frieza, realçou a omissão de pedido de
desculpas e a falta de humildade e mostrou-lhe o tipo de discurso que ele
deveria ter feito e não fez, pôs ainda em evidência, para quem tivesse dúvidas que
Costa – para além de ter chegado onde chegou sem ter sido objectivamente eleito
para tal, forma pouco recomendável em democracia onde a transparência é seu
atributo principal e deve imperar – não serve para Primeiro-Ministro. Falta-lhe
estrutura moral, sensibilidade, categoria, estaleca e, acima de tudo, humildade
e honestidade.
Os fogos em Pedrógão e os de agora,
puseram em evidência a fragilidade da solução que engendrou, até a esquerda
está incomodada e enredada nas suas contradições de atitudes de ontem e de
hoje, não sabe como o defender dada a posição de fragilidade em que se colocou
e ao seu Governo.
A Costa, contrariamente a Marcelo, não
parece que os 105 mortos dos incêndios lhe pesem minimamente na consciência,
apesar de ele ser o responsável último por estar no topo do comando e estas
mortes lhe poderem ser (in)directamente assacadas.
Outro político com qualidade,
poria obrigatóriamente o seu lugar à disposição, seria uma questão ética, de
consciência, um imperativo moral. Já a demissão, mais do que justificável também
dado o número arrepiante de mortos e que qualquer político com estatura moral
não hesitaria em exercitar, não está ao seu alcance, basta ver como Costa
chegou ao poder, é intrinsecamente um malabarista, um político ‘hábil’ e não
creio que de Plutarco saiba sequer se é grego ou romano…
Quando penso que Jorge Sampaio
demitiu um Governo que dispunha de maioria absoluta sufragada nas urnas pelo
povo português, sob a alegação de «trapalhadas» múltiplas, ocorre-me que não
deixa de ser uma ironia a forma como os socialistas lidam com o poder consoante
o exercem ou são oposição…
E todos aqueles que clamavam
contra o aproveitamento político da oposição na altura dos fogos de Pedrógão,
ainda acham – depois de 105 vítimas mortais, dezenas de feridos graves e
ligeiros, não sei quantos desaparecidos, quase 400 mil hectares ardidos – que é
oportunismo político apontar os falhanços e o caos clamoroso gerado por este
Governo no tratamento dos fogos? Isso é ou não trabalho reservado à oposição?
A minha sugestão a Costa é
simples: demita-se e arme-se em vitima, (já vimos que essa receita às vezes
funciona dada a fraca memória do povo português…) e pelo menos, numa coisa
ganharia, ficaria ao abrigo das criticas da direita, retirava-lhe os
argumentos…
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