«‘Geringonça’ mantém-se firme
apesar das críticas e “divergências profundas”.». Mariana Mortágua, Jornal económico», 27/10/2017.
«O
cinismo não é mais do que a arte de ver as coisas como elas são, de preferência
a de como deveriam ser». Oscar Wilde.
As
pessoas, os grupos, as associações e os partidos – porque não? – unem-se quando
têm algo em comum, uma proposição, uma reforma, um objectivo que cimente esse
propósito, esse desiderato e, de preferência, empreendido pela positiva.
No
caso da ‘Geringonça”, trata-se sómente do poder, retirá-lo a outrem e mantê-lo
a todo o custo, no que constitui puro oportunismo com um único fito, afastar o
centro e a direita do poder – como se
tivessem lepra e não tivessem direito a existir numa sociedade democrática – e
mantê-lo, mesmo que isso resulte em puro cinismo, travestismo
ideológico e renúncia a qualquer réstia de coerência.
A
ideologia não é a mesma, o comunismo não tem nada a ver com o socialismo
democrático que, logo à cabeça, aceita e tem como fundamental a economia de
mercado – com regras, bem entendido, quem quer o capital a mandar na política?
Muitos poucos, seguramente – e a liberdade, correlativo da democracia. É
exactamente por isso que Mortágua fala em divergências profundas: euro, Europa,
Nato e agora Catalunha, chega? E omite outras fracturas que nesta fase não são
evidentes nem é preciso trazer à colação, mas que são o cerne de todas as
divergências de fundo: centralização da economia versus economia de mercado, ou
seja, comunismo versus capitalismo…
Não
obstante, mantêm este ‘casamento’ contra-natura, criticam o Governo e o PS e
deixam-no cair com estrondo como fizeram agora na moção de censura em que foram
incapazes de o apoiar….
Cada
Governo tem os apoios que merece, não foi Montesquieu quem o disse, fui eu…
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