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CAPOULAS SANTOS, UM MINISTRO À PROVA DE FOGO…
«O inenarrável Capoulas Santos pode agora, com propriedade, invocar D. Dinis. Foi durante o seu ‘reinado’ que ardeu uma mata com 700 anos, propriedade do Estado e não de milhares de pequenos e absentistas agricultores. Uma mata há muito deixada ao abandono, sem meios de defesa, numa demonstração que o Estado é o mais relapso dos proprietários». Luís Marques, Jornal «Expresso», 21/10/2017.
«A moralidade é a melhor de todas as regras para orientar a humanidade». Nietzsche.
O PS nos últimos 22 anos governou e deteve a pasta da Agricultura durante 15 e desses, Capoulas Santos teve responsabilidades governamentais na área das florestas, como segue:
·        Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento rural entre 1995 e 1998.

·        Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas  entre 1999 e 2002.

·        Ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural desde 2015.
Ou seja, em pelo menos 8 anos, esteve e está ligado à área. Foi também ele que disse que a maior revolução da floresta desde D. Dinis foi feita por este Governo, referia-se, possívelmente, a deixar arder quase por completo o Pinhal de Leiria…
Perante o que se passou, este quadro e estas enorme responsabilidades ao longo do tempo, é legitimo perguntar: em que circunstâncias os Ministros dos Governos do PS acham que têm a obrigação moral de se demitir? Incluo aqui o Primeiro-Ministro também, claro, enquanto responsável número um!
Confesso que não sei, deste ‘espólio’ de horror, de incompetência reincidente, tragédia e morte em que se contabilizam 110 vítimas mortais, 2 desaparecidos e uma devastação brutal, sem precedentes, de bens destruídos e calcinados, não fora a intervenção do Presidente da República e não teria havido uma única demissão. Talvez a do Presidente da Protecção Civil mas, atenção, não fruto desta tragédia nem da negligência de que deu provas, mas devido a mais uma ‘licenciatura de aviário’…
Não, contrariamente a outros países e a outros exemplos, em Portugal raramente há responsáveis políticos (só à força, só com intervenção Presidencial, como se viu com Constança Urbano de Sousa) e nunca, mas nunca, há responsáveis morais que se condoam do seu papel e responsabilidades e se demitam para preservar a sua – a do Estado ao serviço do qual falharam, e a nossa colectivamente – dignidade…

 

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