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«A trapaça, a má fé e a duplicidade são, infelizmente, o carácter predominante da maioria dos homens que governam as nações». Frederico II, o Grande.
«Uma coisa é certa: o Governo e António Costa saem fragilizados desta semana horribilis. E nada será igual nos dois anos e meio que faltam para o final da legislatura – não sendo mesmo de excluir que ela não venha a ser concluída». Nicolau Santos, Jornal «Expresso Diário», 20/10/2017.
O jornalista que escreve esta frase é insuspeito de simpatias pela direita, aliás, todo o texto de onde extraí estra frase é duríssimo contra António Costa e contra a sua gestão da crise que inclui as demissões da Ministra da Administração Interna e do Presidente da Protecção Civil.
Para todos aqueles que acham que há oportunismo político ou exagero na condenação de Costa depois de 108 mortos no terreno (neste momento), dezenas de feridos, ca. de 500 mil hectares de terra queimada – ardeu mais área em Portugal sózinho do que aquela que ardeu em toda a Europa junta – centenas de casas destruídas, dezenas de fábricas encerradas por terem ardido, centenas de desempregados e milhares de animais mortos, em suma, uma verdadeira calamidade nacional, eu pergunto duas coisas singelas:
·        O que faria a esquerda se este drama se tivesse passado com um Governo de direita?

·        A esquerda lançaria ou não uma moção de censura no Parlamento a criticar o Governo?
Apresso-me a responder:
·        Primeiro, a esquerda faria manifestações em todas as capitais de distrito, como fez na altura da TSU, a exigir: ‘Governo para a rua!’ – em consonância com a banalização desta exigência, como assistimos regularmente durante anos...

·      Segundo, lançaria uma moção de censura no Parlamento que votaria raivosa e   acintosamente em bloco e em uníssono.

·        Finalmente, exigiria ao Presidente da República – nenhuma outras saída seria aceitável que não esta – que demitisse o Primeiro-Ministro e convocasse eleições antecipadas.
Todas as pessoas que lerem este meu texto sabem que isto é a pura verdade pelo que me dispenso de comentar a duplicidade de critérios e a hipocrisia de comportamentos usada por estes actores políticos que nos governam e pela esquerda em geral…
É também pela acção da esquerda que este Governo não vai cair já nem o P.R. o vai demitir, mas está ferido de morte e, como diz Nicolau Santos, pode não acabar a legislatura, eu acho mesmo que – dada a gravidade do que se passou, perante esta tragédia de dimensão nacional, dificilmente, apesar de assistirmos ao Orçamento de Estado com mais cedências e mais eleitoralista de sempre, na feliz expressão de José Gomes Ferreira: «O orçamento da chapa ganha, chapa gasta» – a acabará, terminará a legislatura…
Finalmente, o mito de que António Costa é um grande político com cabedal de grande Estadista, ruiu completamente, desmoronou-se irremediável e inelutávelmente, em vez disso, surge-nos um político vulgar, oportunista, a ler mal a situação política e a actuar pior, cheio de fragilidades e rotundamente incompetente…

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