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O DECLÍNIO IRREVERSÍVEL E INELUTÁVEL DO PCP...
«[...] e o secretário-geral do PCP afirmou que "naturalmente, esta nova solução política [a Geringonça] encontrada foi conjuntural e que dificilmente se repetirá".». Paulo Tavares, Jornal «DN», 14/09/2017.
«Quem não estranha a União Soviética não tem coração. Quem a quer de volta, não tem cérebro». Vladimir Putin.
Desde praticamente 1975 que o PCP está em queda, eleitoral, política e sindical.
 Em 1975, nas primeiras eleições livres, o PCP + o MDP (um satélite às ordens do PCP) tiveram 12,46% + 4,14% dos votos dos portugueses, ou seja, 16,6% do eleitorado. Já em 2015, nas últimas legislativas, o PCP-PEV, (o actual satélite do PCP, o PCP tem sempre que ir coligado a eleições para disfarçar a verdadeira dimensão da sua fraqueza eleitoral…) quedou-se pelos 8,25% dos votos, só. E isto, apesar da crise brutal que vivemos. Ora, só confirma o declínio imparável dos comunistas que já perderam 8,35% de votos, metade do seu eleitorado desde o início da Revolução, que se eclipsou, desapareceu, evaporou-se. E como é o voto que dá legitimidade e poder, sem votos, a influência a qualquer nível, desaparece. Este declínio não é nada que não tenha acontecido um pouco por toda a Europa, foi e é a regra.
Portanto, o que interessa ao PCP é saber o que é mais vantajoso para si; reeditar uma nova Geringonça-II, se Costa deixar e admitindo que o PCP continua imprescindível na formação da mesma, ou arranjar um subterfugio qualquer e declinar a entrada numa nova aliança, se tal não for decidido, ‘ab initio’ pelas urnas? Tudo o que era reversões, devoluções, renacionalizações, já foi feito e não há dinheiro para muito mais, veremos se o há para tudo o que já foi assumido. Depois, culpar Passos Coelho não vai ser mais exequível já houve o Governo da Geringonça – I, entretanto. É por isso que as palavras de Jerónimo de Sousa fazem muito sentido apesar de ele ser um dos impulsionadores e responsáveis pela Geringonça. Como bom comunista que é, está disposto a sacrificar-se pelo colectivo…
É curioso que o PCP culpa invariavelmente o governo anterior enquanto responsável pelas maiores vilanias e malfeitorias feitas ao povo português, mas omite cuidadosamente sempre os motivos pelos quais esse Governo teve que actuar assim, ou seja; a bancarrota, o Memorando de Entendimento e a Troika, tudo consequências dos desvarios de Sócrates. Nisso, nas verdadeiras razões par tudo o que tivemos que sofrer e que passar, o PCP nunca fala, fica calado que nem um rato, compreende-se, o Governo de Passos foi em grande parte uma consequência da herança que lhe deixaram e isso é que não convém admitir porque toda a retórica ia pela água abaixo…
Dir-me-ão que no aspecto sindical o PCP é fortíssimo. Mas as coisas também já não são bem assim: em 1999, segundo o Jornal «Expresso» de 20/04/2016, a CGTP tinha mais de 763.000 sindicalizados, mas em 2016, esse número tinha descido para 550.000, ou seja, uma quebra de 213.000 filiados ou, perto de 30% menos. Alegam que devido à crise e à emigração. O que é facto é que é um grande rombo. E isto acontece ainda antes da robotização maciça que aí vem e que vai eliminar milhões de empregos na indústria, comércio, serviços e em todos os sectores da actividade humana. E tanto quanto sei, os robots não são sindicalizáveis… tudo isto são factos, não são “wishful thinking” nem estados de alma, é a realidade pura e dura, embora sempre muito bem disfarçada.
É por isso que estou desanimado com estes números, acho que me vou desfiliar e não vou esperar por um balcão onde seja atendido por um robot…

  

 

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