O COMUNISMO COMO ANTI-MODELO…
«É muito simples, o PCP e o BE não desejam o enriquecimento do país.
Para eles a fórmula é simples. Perdem votos com o enriquecimento e ganham com o
empobrecimento. O crescimento económico é o maior inimigo das esquerdas
radicais, até porque sabem que será o PS a beneficiar eleitoralmente». João
Marques de Almeida, Jornal «Observador», 3/09/2017.
«No comunismo é o homem dominando o homem, no socialismo é o inverso».
Roosevelt.
João Marques de Almeida acertou
na mouche, este é que o ponto e que contraria frontal e objectivamente toda a
propaganda dos comunistas, sejam eles do PCP ou do BE!
Se repararem, o comunismo
desapareceu práticamente da face da Europa (e mesmo em Portugal há muito que
estava em declínio). Não tem qualquer expressão e por um motivo muito simples,
o desenvolvimento económico que se viveu durante décadas na Europa após a 2ª
Guerra, tornava a U.R.S.S. e tudo o que ela representava como um anti-modelo –
para além do totalitarismo intrínseco ao sistema – por não ser nem apelativo,
nem atraente. Começava no nível de vida, incomparavelmente mais baixo na
U.R.S.S., era como comparar miséria e abundância. Nas liberdades cívicas e de
imprensa, sem restrições no Ocidente, inexistentes na U.R.S.S., e, de uma
maneira geral, a U.R.S.S. não resistia a uma comparação com o Ocidente em
nenhum campo nem domínio; na saúde, o relato de Zita Seabra já dissidente do
PCP e do seu internamento devido a uma crise inesperada num hospital longe de
Moscovo, é pungente tal o nível de assistência que recebeu, idêntico ao do
terceiro mundo; na habitação, quem não se lembra que um apartamento na antiga
União Soviética era partilhado por 4 famílias? No ensino, pense-se só na
qualidade e prestígio das grandes Universidades Inglesas e americanas e
tente-se vislumbrar algo de semelhante na antiga U.R.S.S.; e nos bens de
consumo triviais, é conhecida aquela «blague» do cidadão russo que contava que
a indústria de sapatos fabricava 250 milhões de pares de botas anualmente, um
para cada cidadão soviético, acontece que à filha com 4 anos e que calçava o
número 6, calhou-lhe o número 48, e a ele, que precisava do número 42, saiu-lhe
o número 16, para estes fornecimentos não havia apelo… nem vale a pena comparar
políticamente os sistemas; uma ditadura feroz e torcionária, apoiada e
sustentada por uma polícia política implacável, o KGB, versus Estados de
Direito consolidados e em liberdade plena, apanágio das nossas democracias,
suficientemente fortes para albergar os comunistas e o trabalho de sapa que
levam a cabo diariamente para as torpedear!
Em suma, o comunismo nunca
conseguiu competir com nenhum país medianamente desenvolvido do Ocidente a
nível nenhum, excepto no desporto, uma das formas de os atletas serem
acarinhados e privilegiados, conseguirem exibir-se no Ocidente e,
eventualmente, desertarem. Grandes vultos na cultura, escritores e prémio Nobel
como Soljenitsin, pianistas como George Balanchine, violoncelistas como Mischa
Maisky, bailarinos como Rudolf Nureyev, ou compositores da qualidade de um Igor
Stravinsky, todos acabaram por desertar e exilar-se no Ocidente. Atá a filha de
Estaline que não era artista, só filha de quem era, Svetlana Alliluieva,
desertou para os USA!
O único campo em que batiam o
Ocidente claramente, era a agressividade, o militarismo e o belicismo infrene,
mas aí tratava-se de uma questão de sobrevivência do regime embora
tecnológicamente também estivessem aquém do Ocidente nesta área.
O desenvolvimento traz associado,
educação, formação, cultura e bem estar, e isso é fatal para o comunismo – onde
estes requisitos existam, não há comunismo. A época em que os intelectuais
acriticamente e em manada o apoiavam, acabou há muito…
Logo, só na miséria e no
obscurantismo o comunismo triunfa, só com um país em escombros os comunistas
têm alguma hipótese de chegar ao poder, daí recorrerem sistemáticamente ao
quanto pior melhor, à política de terra queimada!
Marx no seu tempo, acreditava
piamente que a revolução comunista ocorreria num país desenvolvido do Ocidente,
como, por exemplo, Inglaterra, Alemanha ou França, enganou-se rotundamente como
se enganou em quase tudo, ocorreu num país que tinha acabado de sair da Idade
Média, a Rússia e que estava nos antípodas do desenvolvimento.
Onde há progresso,
desenvolvimento e Estado Social digno desse nome, como existe um pouco por toda
a Europa, não tem hipótese, a sua mensagem não passa. Como em tudo na vida, há
as excepções como em Portugal onde um perdedor, um tipo a afogar-se com a
derrota estrondosa que sofreu, António Costa, dá a mão a outro náufrago, o PCP,
a união faz a força, é sabido, ficamos agora a saber que também funciona num
meio aquático…
Para já…
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